Tem coisa que não tem mesmo explicação a não ser que

Renata Gervatauskas
Aug 8, 2017 · 2 min read

Semana passada fui conhecer um projeto. Era uma oportunidade legal, daquelas que você pensa aí sim vale a pena ressecar até a glândula pineal nessa poeira por mais uns meses, sabe? Frila com tempo certo pra acabar, fácil acesso, equipe enxuta, millenials com ideias disruptivas e, é claro, não era bem isso tudo, aliás, na prática não era nada disso. Aí vem aquele questionamento: por que é que Deus faz isso comigo?! Abre a possibilidade e tira, logo na sequência. Logo eu, que tava quieta no meu canto querendo resolver logo as coisas e voltar pra praia.

Mas eis que, na volta da reunião encontro um crush no ônibus (eu não falava crush até ontem, não por preconceito, mas por não ter um crush há muito tempo).

Agora veja você: ônibus eu já não pego muito, gente muito menos, ainda mais naquela hora e naquele lugar. Qual a probabilidade disso acontecer considerando que estamos em São Paulo, não em Piracaia (culpe a Meg Ryan e os anos 90)?! Não ia ser lindo se eu chegasse e dissesse oi e já metesse-lhe um beijo (consentido, tá? sem abusos) em câmera lenta, descesse lindamente no próximo e deixasse o boy (eu tb não falo boy, mas tô tentando pegar esse hábito, já que eu não pego os boys) o resto da tarde pensando nossa-nossa-nossa, que mulher é essa, meodeosdoceo, me beijando assim de surpresa numa tarde ensolarada de inverno em pleno coletivo?!?

Eu me ajeito imediatamente pensando, pronto, foi por isso que eu vim parar aqui, só pra encontrar com o moço (eu falo moço, gente)!

Só que, obviamente, não.

Sem me ver ali no fundo do busão o moço escolhe, dentre os vários assentos livres naquela hora do meio de uma tarde ensolarada de inverno,

o assento reservado para gestantes, idosos e PNEs.

Agora você me pergunta:
Ele é gestante?
Ele é idoso?
Ele é PNE?

Que eu saiba, não.

Mas por que é que Deus faz isso comigo?! Logo eu, que tava quieta no meu banco querendo resolver as coisas logo e voltar pra Plutão.