Tipografia for dummies
Marcus Piffer
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Da minha parte fiquei positivamente impressionado com sua análise sobre o assunto, especialmente para alguém que não é da área. O contexto histórico é importante, mas já vi vários professores de design caírem na armadilha que gastar horas falando sobre egipcianas, góticas e companhia e perderem de vista o uso das fontes em si.

Em termos de livro, a margem realmente interfere no preço, na largura da linha como você falou e também na ergonomia do livro, já que uma das funções da margem é te dar espaço para segurar o livro sem que seus dedos fiquem sobre as letras. Uma das razões para a margem inferior geralmente ser maior. Considero que uma das melhoras dicas para reconhecer uma publicação que teve orçamento apertado é o uso de margens pequenas demais.

Voltando à tipografia um fator que eu acrescentaria é a chamada altura-x da fonte, que é a altura da letra minúscula, excluindo as ascendentes (como o pescoço do l) ou descendentes (como a perna do p). Essa altura influi na percepção de tamanho da letra.

Por exemplo. a helvetica tem uma grande altura-x o que a torna ótima para uso em tamanho pequeno, tornando-se ótima opção para legendas. Recentemente, consegui fechar uma tabela gigante usando helvética em tamanho 7 e ficou bem legível. Mas se for usada em tamanho 11 ou maior ela já não funciona tão bem. No sentido inverso, fontes com a expressão display no nome são geralmente desenhadas para título sendo mais finas e, por isso mesmo, vão ficar um tanto magricelas em tamanho pequeno.

Algumas famílias de fonte são bem antigas: a Garamond, por exemplo, é do século XVI, mas foi redesenhada com o tempo, com versão diferentes de acordo com o estilo de época. Por exemplo, a ITC Garamond tem uma altura-x aumentada e fica boa para tamanho pequeno, mas também existem versões display da Garamond.

Essencialmente a escolha do tipo e seu tamanho do tipo são questões de objetivo, contexto e recursos disponíveis.

Dois livros que recomendo: Pensar com Tipos, da Ellen Lupton que como a própria autora diz, não é um livro sobre fontes e sim sobre como usá-las; O Design do Livro de Richard Hendel que é bom para entender as prioridades de leitura, especialmente de textos longos. Usei ambos como referência nesse comentário.

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