Empatia e Design. Por que pensar no ser humano se tornou a grande inovação?

No cenário atual, conectado e tecnológico, de constante interação das pessoas com produtos e serviços digitais, fala-se muito em User Experience (UX) e Design Centrado no Usuário. Mas afinal, o que diferencia as experiências boas das ruins?

Into the mind

Para responder essa questão é preciso tentar explorar a complexidade da mente humana, bem como aspectos comportamentais e emocionais que são responsáveis pela tomada de decisões e desenvolvimento de hábitos.

Um caminho para essa descoberta, a princípio tão subjetiva, com certeza está na empatia. Esta habilidade básica, mas infelizmente um pouco rara, que nos transporta para o outro lado da situação e nos faz entender o que se passa com o outro. É onde o design se encontra com a psicologia, na busca de entender comportamentos e na sensibilidade de querer perceber o mundo da forma como os outros o percebem. A oportunidade de sentir e entender as experiências e emoções das pessoas, criando afinidade e identificação.

“Empatia: Capacidade de compreender o sentimento ou reação da outra pessoa, imaginando-se nas mesmas circunstâncias”.

No meio de tantas tendências no universo corporativo, as empresas estão chegando à conclusão que pensar no ser humano é a grande inovação do momento. A tecnologia passa a ser apenas um meio pelo qual pode-se resolver problemas reais, utilizando-se fortemente do design para simplificar, criar uma relação de proximidade, de confiança, e em um nível mais profundo encantar as pessoas. Hoje em dia espera-se mais das marcas do que apenas propaganda. Espera-se sobretudo mais propósito e relevância.

Design x Estética

Design é também estética, mas design não é sobre arte, pelo menos não neste contexto. É sobre entender as pessoas e criar soluções coerentes e eficazes para resolver problemas comuns. O papel do UX designer, profissional cada vez mais procurado, é em primeiro lugar o de ser um solucionador de problemas, e para isso não existe maneira mais eficiente do que estar imerso neles.

É necessário entender todas as peças e partes de uma experiência e como funcionam juntas. Isso envolve uma quantidade enorme de disciplinas e habilidades, as quais não é necessário dominar todas elas, mas pelo menos estar ciente das responsabilidades e objetivos de cada uma. O conceito de UX deve estar presente no pensamento de todos que interagem com um produto ou serviço (dono, equipe, developer, designer). Times compostos por profissionais com visões diferentes, dispostos a co-laborar em prol do usuário final.

Essas pessoas agiriam da mesma forma e tomariam as mesmas decisões colocando-se no lugar dos outros? Dificilmente resolveriam algum problema de forma eficiente e impactante sem entender de fato a origem dele, quem são as pessoas que os enfrentam, quais as suas necessidades, expectativas, experiência de vida, etc.

Por outro lado cada indivíduo é único dentro de sua própria percepção de mundo. Pessoas são complexas e levando em consideração a importância de pensar sobre elas, o design centrado no usuário busca chegar onde a transformação real pode acontecer.

UX is everywhere

O chamado Design thinking está presente em todos os dias na nossa vida, em todos os lugares. É possível observar UX em tudo. Através desse approach podemos resolver problemas que vão muito além da tecnologia.

Para as empresas, esta abordagem ajuda a descobrir de maneira rápida o real valor dos seus produtos e serviços. Aí entra a “User research”, uma espécie de engenharia reversa onde se coloca o usuário final no centro da tomada de decisões. Seja através de pesquisas, entrevistas ou outros mecanismos, a análise de dados qualitativos e quantitativos representam algo de extremo valor para as corporações, traz dados e informações reais, fora do campo das suposições.

Empatia transforma

O exercício da observação, comunicação e vivência geram insights poderosos e podem impactar diretamente na nossa percepção de mundo e nos relacionamentos.

O sentimento de empatia nos convida a não pré-julgar, a pensar fora da caixa, e de certa forma entrar na mente das pessoas, mesmo sem conhecê-las. Agir com empatia nos torna pessoas melhores, desconstrói paradigmas e nos conecta com o nosso lado mais humano. Tem o poder de transformar todo o mundo a nossa volta, criando um círculo virtuoso extremamente positivo.

“Todo mundo que a gente encontra na vida está enfrentando uma batalha que você não sabe nada a respeito. Seja gentil. Sempre!”