Desculpe o transtorno, precisamos falar de separação

Os Amantes, René Magritte

Tempos difíceis para os românticos, né amores? Depois de Fatinha e William anunciarem que não formam mais um casal, chegou a vez de Brangelina acabar com nossos sonhos de ser adotados. O baque foi tão grande que há gente desacreditada no amor!

Vejo até certa utilidade pública nessas separações. Não sou contrário aos casamentos (se eu tivesse grana seria a Gretchen), veja bem, mas por meio desses casais famosos, tidos como ideias, podemos jogar um pouco de areia na perfeição vendida pelos comerciais de margarina. Tenho 30 anos e fui casado por quase três anos, numa relação que durou quase seis, e claro, acreditei que seria para sempre (maldita Disney).

Quando decidimos colocar um ponto final no nosso relacionamento, meu ex e eu, sabíamos que nossa história não estava sendo escrita de forma conjunta, cada um tinha seu próprio caminho e era mais interessante que cada um seguisse ele por suas próprias pernas. Vivi a sensação de fracasso.

É foda desmontar uma casa. É foda voltar para a casa dos pais. E mais foda ainda é se ver sem o outro que por tanto tempo foi seu ponto de referência. É um trabalho enorme de desconstrução e reconstrução. Nesse caminho dá-lhe insônia, colo dos amigos e dormir no meio da cama pra compensar o espaço vazio.

Mas durante todo esse tempo (que já faz quase dois anos) eu nunca desacreditei do amor. A gente fica mais calejado, um pouco cabreiro no início, mas descrença? No conozco! Se apaixonar é lindo e quando isso acontece de novo é uma sensação de despertar. Costumo dizer que apesar os pesares talvez eu tenha tido sorte. Não vivi um término dramático daqueles que cê odeia seu ex, onde há brigas e ofensas. Nunca me senti traumatizado por ter tido um casamento que acabou. E perceba a diferença, não estou aqui dizendo “que não deu certo”!

Construímos um lar, viajamos, adotamos uma cachorra. Isso não é dar certo? Acredito que para não sair de uma separação amargurado é preciso ser generoso e benevolente consigo mesmo. Precisamos saber olhar para nós, identificarmos nossos momentos e entendermos que estamos construindo uma história. Viver é mais que perder ou ganhar, portando livre-se dessa cobrança do “pra sempre”.

Tenho plena consciência que durante meus anos de casado fui o melhor que eu pude ser levando em consideração quem eu era. Olho para trás e reconheço erros e acertos. Saber disso traz paz e crença que outras histórias virão. Independentes se serão longevas ou só um amor de Carnaval.