DIÁLOGO PRA QUE?

Ontem assisti um programa de TV, onde o tema era; como dar limites aos filhos quanto ao uso do celular. A repórter perguntou a um especialista, se os pais deveriam impor limites aos filhos e como fazer isso?

A resposta do especialista foi: "sim os pais precisam impor limites. Isso deve ser feito com muito diálogo. Deve se conversar muito com os filhos. Eles precisam entender os motivos da imposição de limites."

Fiquei refletindo: e se eu fosse o filho??? Que diabo de diálogo é esse que impõe coisas e eu tenho que entender e obedecer. Que argumentos eu teria sendo uma criança? Eu seria ouvido ou é um tipo de "diálogo" pra um só falar, um só ditar e o outro obedecer?

Primeiramente, Diálogo é uma palavra "grávida", pode ter diversos significados, dependendo do ponto de vista de cada um. Segundo, se há IMPOSIÇÃO, AMEAÇA ou PERSUASÃO, o próprio diálogo já não está mais considerando o respeito mútuo. Uma das partes está sendo dominada ou enganada.

E não importa se é uma criança ou um adulto. A conversa precisa ser verdadeira, livre de julgamentos e rótulos. Se for com uma criança é mais sério ainda, pois, caso contrário, ela vai crescer achando que essa é a forma correta de se relacionar, impondo, ameaçando ou persuadindo. Pior ainda, vai aprender a esconder e mentir.

Por isso que, na adolescência e na fase adulta, há tantos conflitos de relacionamentos entre pais e filhos. Além dos filhos não aceitarem mais as imposições dos pais, eles próprios começam a exercer o aprendizado, fazendo imposições aos pais também.

Aí entram numa disputa de forças que não tem fim. Uma competição por quem está certo. O que só gera mais e mais conflitos e mágoas, apesar de todo o amor que um tem pelo outro.

Como fazer então para conscientizar as pessoas sobre as consequências negativas do excesso do uso do celular, ou de qualquer outra coisa, sem precisar impor, ameaçar ou persuadir???
R.: FAZER COMBINADOS.

Num combinado, as partes podem expor suas idéias, suas preferências, conversam sobre as consequências, analisam​ onde podem ceder, qual o sacrifício que aceitam fazer, combinam o que fazer quando uma das partes não cumprir, tudo fica as claras. A chance de haver aprendizado, comprometimento e responsabilidade é muito maior.

De quebra, há uma ótima oportunidade para se exercitar o respeito, a aceitação, a compreensão, o não julgamento, o perdão e o amor. Crianças que aprendem a fazer combinados, serão adultos mais preparados para quaisquer tipos de conflitos nos relacionamentos.

Tem um ditado que diz: "o combinado não sai caro". Eu gosto de dizer que “o COMBINADO é o tempero das relações”. Quando existe combinado, todos aprendem, todos ganham. A consciência de cada um expande e a consciência coletiva também.