EM PAZ COM A GRANA

Eu não saio de casa pela manhã pensando no dinheiro que vou ganhar. Saio pra servir, pra fazer algo criativo, pra interagir com pessoas, pra viver uma vida com sentido, servindo e permitindo que outros também possam servir naquilo que desejo ou preciso.

Também não julgo o dinheiro, como se ele fosse algo negativo, que me corrompe, ou que a falta dele seja responsável pelas minhas frustrações ou infelicidade.

Apenas o trato como ele deve ser tratado, um meio, uma ferramenta de troca entre o meu servir e o servir do outro. Só isso.

Se ganho muito dinheiro, ótimo, talvez seja porque esteja servindo muito as pessoas. Ou talvez porquê o que eu faço, do jeito que eu faço, ainda seja algo que poucos fazem.

Se ganho pouco, tudo bem, talvez muitos façam o que eu faço, ou as pessoas não precisam tanto do meu serviço. E se continuo fazendo é porque adoro fazer, mesmo não sendo tão requisitado ou bem remunerado por isso. Isso não me faz sentir menos. Aprendo a reinventar e fazer melhor todos os dias.

Ou seja, o dinheiro não é meu foco nem a razão dos meus problemas. É mais um coadjuvante na minha vida. Não dou a ele status de ator principal, mas também não o desprezo, porque preciso dele para viver nesse sistema em que vivemos.

O descuido com o manuseio dele já me causou alguns apuros e privações. É como querer andar de carro e não dar importância para o marcador de gasolina, esquecer de abastecer. Vai me deixar na estrada. Por isso, mesmo ele não sendo meu foco, é importante eu aprender a lidar com ele. Uma boa prática é manter sempre baixas as despesas fixas.

Preciso de pouco pra viver. Posso até servir de graça, ou cobrar apenas o necessário pelo meu serviço. Também posso cobrar o que acho razoável, ou o que as pessoas concordam em pagar, ganhar muito dinheiro, e utilizar uma boa parte da minha renda extra para contribuir com projetos humanitários, tais com Médicos Sem fronteira e muitos outros. Essa escolha é minha. E estou em paz com ela.

Não é o dinheiro que é sujo, demoníaco ou maldito, é o mau uso que se faz dele. Comparo à uma faca, tanto pode ser usada para preparar um delicioso prato, como para matar. E aí, tenho que rotular as facas como coisa ruim ou elimina-las da minha casa??? Não né?

São nossas crenças em relação ao dinheiro que nos limitam. Não o dinheiro em si.