A Arte De Pedir — Amanda Palmer

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Amanda Palmer é uma artista performática que criou a banda The Dresden Dolls, depois fez carreira solo, blogueira e twitteira, casou com Neil Gaiman, e fez um famoso TED Talk que foi a origem desse livro.

O livro amplia e aprofunda o que Amanda fala na apresentação no TED tanto sobre sua carreira artística quanto nas mais diversas formas que um artista tem de evoluir através da ajuda alheia e da economia solidária cada vez mais possível através de plataformas de financiamento coletivo.

O legal do livro, ao menos para mim, é que não se precisa conhecer ou mesmo gostar do que a Amanda faz artisticamente, mas sim curtir o relato que ela dá de sua vivência artística. Seja os “couch surfings” (os diversos sofás onde ela dormia de graça nas cidades que ela fazia turnês) onde pode ter essa troca de vivências ou todas as maneiras que fez para que sua banda gravasse e lançasse os álbuns de forma mais livre.

Nisso tudo vamos vendo uma pessoa que está sempre em dúvidas de sua arte, se é uma fraude (o grande medo dos artistas), que deveria arranjar “um trabalho de verdade”, o relacionamento com Neil Gaiman e também as dúvidas que surgem disso (ficar com um cara mais velho, famoso e rico sem parecer que seja puro interesse), o câncer de seu melhor amigo, os haters (chegando a ameaças de morte) e a relação muito próxima e criativa com seus devotos fãs.

Aliás, para fãs do Gaiman, tem muita coisa pessoal que ficamos sabendo dele no seu trato pessoal dentro de um relacionamento.

Para os dias atuais é um bom incentivo ver uma artista que consegue financiamento sem ser um grande nome e quais as dicas dela para conseguir e manter isso (ela dá exemplos mal sucedidos de financiamento coletivo e os erros cometidos).

Sem cair num registro autobiográfico de sua vida mas também não virando um manual do artista Amanda se valeu de grande ajuda de muita gente (o que pode se notar no tamanho dos seus agradecimentos), incluindo aí um editor pessoal que leu, cortou e rearranjou muita coisa do texto sem cobrar nada, um tal de Neil Gaiman. Isso proporcionou um livro leve e interessante, um relato pessoal de uma vida artística.