Talvez aí esteja a resposta: o pessoal não tá mais usando guitarra, mas tá trabalhando nas interfaces de computador, tecnologia móvel, videogame e o diabo.
Os Cinquenta anos de Kurt Cobain e a primeira morte de Ronald Reagan
Fabricio Pontin
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Tenho defendido este ponto de vista, quando trabalho com os movimentos culturais de juventude no ocidente. A questão não é a qualidade (ou falta dela) da música que se faz hoje, mas o quanto a música parece ter perdido (ou enfraquecido) seu caráter catalisador para o ambiente virtual, principalmente para as redes sociais. Quando falo em “perder”, não estou embarcando em uma ideia de substituição de uma coisa pela outra, mas afirmando que vemos hoje um outro lugar de agregação de expressões, que não é mais o meio musical. Por outro lado, estou falando a partir de minha experiência com esse processo: a de garimpar novidades em rádios, revistas especializadas e lojas de disco, na minha adolescência, buscando as músicas que melhor expressavam minhas opiniões, para um tempo em que posso colocar minha opinião, sem filtros, aqui, por exemplo. Em cima desta busca, na minha adolescência, havia uma milionária indústria de entretenimento que buscava me convencer que tal banda ou artista tinha a ver comigo. E, às vezes, acertava.

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