Ela é a dose de calma em uma crise pânico que todo doente quer ter

- Você estava muito mal quando escreveu isso?

Ela me lança um tipo de olhar que eu sempre quis receber desde que comecei a ter essas boas crises de pânico que me fodiam. Me faziam querer mijar pelo cu, dentro da calça jeans surrada e encardida no meio da sala de aula, na frente de todo mundo.

É um show de horror que corre pela minha mente e faz o coração bater forte e a minha garganta fechar só pelo medo da minha garganta fechar.

É a sensação visceral de morte do melhor jeito deliciado e quase desesperador que só o pânico sabe causar.

Prove um dia desses.

Só aviso que pode ser um tanto desconfortável, mas nada além disso.

Minha alma perdida sob o olhar dela, eu respondo: Um pouco.

Maya sorri docilmente da mesma forma que sorriu para mim na mesa de bar há sete meses. Ela sorria assim e me olhava com seus olhos acolhedores e sua forma de mulher precisando de carinho na frente de seu namorado que ia e vinha com o copo de cerveja sempre pela metade na mão. Então ela achou melhor deixa-lo e vir morar comigo, sob o teto de meus pais, por um tempo. Mesmo que meus pais deixassem a gente meter por longas noites no meu quarto, as coisas não foram tão fáceis, meu velho. Ela, depois de alguns meses comigo, ainda o amava. Eu tive que fazer alguma coisa. Eu tive que expulsa-la porque não aguento esse tipo de indecisão de merda. Um cocozinho que o cu não engole e não larga na privada.

Então ela pegava as coisas dela e ia embora. Depois ligava chorando e dizia que sentia minha falta antes de voltar com as coisas dela e meter comigo por mais um tempo antes de ir embora de novo.

Chega dessa porra.

É agora que ela vai embora, penso e mostro umas merdas que eu tinha escrito. Mostrei o babaca que eu era e ela ficou admirada com a porra toda e nunca mais falou do cara.

As vezes até o lixo imprestável tem mais valor que o ouro.

Então os textos eram para avisa-la de quem eu era. De como eu bebia e ficava agressivo e depois chorava como um bebe por não conseguir ser nada do que eu queria. Na cabeça insana de Maya, tudo não passava de ficção ou ela só apostava para ver a destruição até eu criar mais uma crise de ciúmes e empurrá-la contra uma grade de ferro no meio da Augusta. Ela se cagou de medo e saiu correndo que nem uma retarda. Achou um taxista e entro. Me joguei na frente do carro. Os freios funcionaram bem. Ele mal bateu em mim. Ela abriu a porta e eu entrei e vomitei toda a cachaça e toda a cerveja que estava bebendo desde as cinco da tarde pela janela daquela porra de quatro rodas. Ela segurava a minha cabeça contra a janela e ria com um prazer estranho. O taxista corria e fazia as curvas com uma rapidez irritante. No dia seguinte ela me olhava com nojo e eu pensava, é isso, agora ela vai embora e vai parar com essa merda. Certo?

Não. Ela continuou ou meu lado. Me fez reduzir a cerveja e largar a cachaça e eu aceitei como um dependente de drogas depende de seu contato. Eu dependia dela para chegar em sua buceta e em seu carinho quase maternal. Édipo rei. É isso. Esquece essa porra.

Ela passa as mãos no teclado. Reclama dele. Pergunta como eu posso escrever nessa merda suja e que mal funciona direito. Arruma o cabelo e corrige o texto que eu chamei de Blackbird. Pássaro negro, se vc não ta ligado na ingres. The book is on the table, baby. Eu sou foda nas liguas gringas, fãqui ei.

No quarto cheio de machas de camisinhas recém desvirginadas, eu falo para ela que estava tento crises de pânico pesadas. Escrevi essa merda em uma delas e isso de uma maneira ou outra me ajudou. Me deixou mais calmo.

- No meio da crise você escreveu isso?

- Sim. Na verdade era o início de uma crise. Eu ainda estava no primeiro nível

- Nível?

- Sim. Eu classifico mais ou menos assim: no primeiro você fica sem ar. No segundo o seu coração bate tão forte e rápido que você tem medo que ele quebre as suas costelas. No terceiro você não sente as suas mãos. Elas congelam e suam como um grande pedaço de gelo ao sol. No quarto sua cabeça gira e você começa a ver clarões. Seus músculos estão mais duros que titânio e algo te diz que é agora que você vai morrer. Sua vida é vazia e claramente inútil para a resto do mundo. No último você desmaia.

- Cacete. Porra.

- Eu nunca cheguei ao último. — Dou uma piscadinha para ela e sorrio. — eu sou melhor que isso.

Ela olha para mim e depois joga os seus olhos para a tela.

- Você podia estar mal, mas porque você não coloca virgula e nem letra maiúscula, seu retardado? Você fez isso para eu corrigir tudo né?

- isso mesmo.

Ela dá uma risadinha e queima o resto do baseado. Me oferece. Eu recuso. Bebo a cerveja e olho para o céu negro. A avenida silenciosa cheia de caminhões insones. Aqui em São Paulo, a cidade que não deveria dormir, as pessoas roncam e alguns corpos sem vida fazem o trabalho que ninguém quer fazer. Muito menos um playboy como eu.

Acabo o meu cigarro. Amanhã acordar as oito a manhã e tentar passar em um processo seletivo de estágio. Gastar o meu tempo para receber um não e mais nenhum motivo além de que a vaga já foi preenchida, mas relaxe, o seu currículo está guardado no banco de dados. Legal. Obrigado. Abra uma breja. Queime um. Feche os olhos e sinta o momento. Sinta como você não é nada dentro do tempo que vai passar.

Ela acaba de revisar a porra toda. Pede para eu ver. Eu fecho o arquivo no Word e beijo sua boca gelada. Ela se levanta e se joga na cama. Seu corpo macio de mulher me espera com as pernas quase apertas. A buceta já molhada com as minhas palavras. Ela pede o meu pau com o olhar.

A cerveja me faz querer cagar. Entro no banheiro. Cago. Saio e sorriu para ela. Ela ri alto e pede para eu me aproximar. Abaixa minha cueca e eu fico peladin. Ela me chupa. Olha nos meus olhos. Enfio fundo em sua boca até meu pau ficar realmente duro e ela começar a engasgar. Tiro o meu pau de sua boca. Ela sorri. Eu meto fundo em sua garganta de novo. Ela engasga e eu pulo na cama. Me visto. Entro em sua buceta quente. Maya tem a buceta mais apertada que eu já comi. E, veja bem, eu não comi tanta mulher assim. Dá para contra em minhas mãos de um jovem babaca de vinte anos. Mas eu sei que é a buceta mais apertada da cidade porque o seu cuzinho, que eu já comi uma vez, consegue ser menos apertado que sua xota. Eu gozo. Ela deita de costas e eu sinto vontade de me jogar ao seu lado, mas passo as mãos em suas costas. Cada curva, cada centímetro de pele está entregue para mim. Bato em sua bunda que deixa o branco e toma o vermelho. Eu deito eu seu lado. Ela me beija e diz que nos vemos semana que vem. Chama um Uber e parte com a minha camiseta e o meu amor. Me reduzo a saudades e ao medo dela dar para qualquer outro cara e me esquecer. Para o Uber que ela chamou. Me reduzo ao resto dela que passa a não existir.

Minha mãe dorme na sala em frente ao Netflix. Subo com uma breja na mão e começo a beber. O celular vibra depois de um tempo. Mensagem dela:

Você é o garoto do sorriso mais torto e charmoso dessa cidade. O cara que me olha e me trava os batimentos de tanto mistério e sedução que esses olhos expressam. Garoto, você tem um cheiro que vicia. Simplesmente vicia. E não é aquele perfume mais caro ou o mais barato que você tem no seu armário. É o cheiro do seu corpo, do seu saco, da sua barriga, da sua pele. Seu cheiro de homem. Homem de verdade.

Me derreto por você. Parece o tempo inteiro que é tudo ficção.

Não sei o que responder. Digo obrigado e dou boa noite. Desligo o celular. Acabo a cerveja e uma vontade louca de dominar o mundo toma conta de mim. Tudo que vejo pela janela é meu e o futuro é só mais uma garrafa de cerveja em uma tarde quente na cidade. Tão leve e prazerosa como o gosto da boca de Maya.

Deixo de ser a solidão e a indiferença. O tédio e o momento esquecido que incomoda ao ser lembrado. Me torno o amor.

Apenas o amor e nada mais.

Like what you read? Give Renato Fellas a round of applause.

From a quick cheer to a standing ovation, clap to show how much you enjoyed this story.