O que os Monges do Laos me ensinaram sobre liderança


Todo líder já deve ter lido o clássico livro O Monge e o Executivo, ele mostra atributos básicos que cada grande líder deveria ter e aplicar no seu dia a dia. Após 15 dias de férias entre Thailandia, Vietnam, Cambodia e Laos, esse último o mais importante pra mim, pude sentir de perto, conhecer um pouco mais dos Monges Budistas e seus valores e absorver mais características, pra ser um líder ainda melhor, com esse povo simples e feliz por natureza com o pouco que têm e suas crenças.

Quando decidimos, eu e minha esposa, viajar para a Indochina sabíamos o que iríamos encontrar. Uma região que por muito tempo sofreu com a guerra e tirania de outros povos e que carrega sequelas e uma história sofrida. Teriam tudo pra ser amargurados e hostis, inclusive com os povos que os atacaram, mas não, o perdão e a humildade prevaleceram, o que os tornam, pra mim, um povo encantador.

Chegamos na pequena cidade de Luang Prabang, Laos, uma cidade de pouco mais de 50 mil habitantes, que fica em um vale cortada pelos rios Mekong e Nam Khan e que é famosa pela quantidade de templos e monastérios Budistas.

Conhecemos nosso guia, Fan, um cara simples, generoso, com uma empatia acima da média e que nos recebeu falando "Sabaidee", uma palavra simples que tem muitos significados, como "Olá", "Como você está?", "Estou bem" e que reflete a simplicidade da cultura com um grande valor em uma interação entre as pessoas.

Nos recebeu muito bem, fez questão de nos explicar cada detalhe da sua região, cultura e religião, o Budismo. Cada detalhe do que ele nos explicava sobre a vida dos monges e suas crenças nos deixava mais entusiasmados. Queríamos logo ir conhecer a vida dos monges e os seus lugares sagrados. Fan demonstrava uma tranquilidade e admiração pelas pessoas que o cumprimentavam nas ruas, com muito respeito. Aquilo me chamou muita atenção.

Não sou Budista, mas respeito todo tipo de crença e religião e acredito que todos temos que ter um Deus para crer, seja ele de qualquer forma, porém antes da viagem li bastante informação a respeito do Budismo para, minimamente, entender cada detalhe que poderíamos presenciar.

O Budismo forma as pessoas para terem uma auto suficiência espiritual, o que faz com que seus seguidores aprendam a desapegar-se de tudo que é transitório, puramente representada em comportamento.

Buda, em Hindu, quer dizer o Iluminado. Não representa um ente em particular, mas sim um título dado a um mestre Budista ou que tenha atingido a realização espiritual, que não é ensinada e sim apenas percebida.

Vale a pena investir uns minutinhos lendo sobre a origem do Budismo, seja nessa fonte ou em outra que achar na internet.

Voltando ao nosso guia, Fan, descobrimos finalmente os motivos que ele nos chamou tanta atenção. Fan havia sido monge por três anos, isso mesmo, tínhamos um guia mais do que especial. Aquilo foi indescritível. Ao saber disso queríamos derramar um caminhão de dúvidas para ele, rsrs.

Ele nos explicou cada detalhe, gesto, sinal e também como é a vida de um monge.

Porquê os monges em formação seguem os monges mais experientes? Te garanto que não é por obrigação e sim por admiração ao seu líder. O caráter deles os forma melhores líderes e fazem com que os mais novos os sigam por acreditar plenamente neles, em tudo que fizeram e em tudo que ainda têm a fazer pelo próximo.

As características mais marcantes são o cuidado e doação ao próximo, o sacrifício e o comprometimento perante a eles e por fim servir atendendo as suas necessidades para serem pessoas melhores a cada dia. Essas são essências básicas, que já havia lido em livros, estudado, executado e agora vivido na pele observando os monges. Essas são características que eu luto pra melhorar a cada dia no meu modelo de liderança.

Todo dia ao nascer do sol, tocam os tambores do alto de um templo. É o sinal que os monges estão prontos e preparados para sair dos seus templos e cruzar as ruas da cidade, descalços e em silêncio, recebendo doações feitas pelos locais e também pelos turistas que se ajoelham em sinal de respeito oferecendo-os comida. São muitas filas de monges formadas por cerca de 20 monges cada, em ordem do mais experiente até os mais novatos, que na sua grande maioria são crianças. Essas crianças são enviadas para os templos pelos seus pais, para que se tornem pessoas melhores seguindo os exemplos dos seus líderes. Alms Given Ceremony, algo tão simples mais de uma energia e paz gigantescos.

Toda comida recebida pelos monges é compartilhada entre todos, eles se alimentam e se preparam para o dia de trabalho. Tudo que sobra é doado aos pobres da região. A comida é simples, a maior parte dela é o Sticky Rice, um arroz simples, que eles fazem um bolinho com as mãos para comer.

Os monges se comprometem, se sacrificam pelo próximo, mostram o cuidado de forma simples e nos pequenos detalhes. Eles atendem às necessidades dos que os seguem. Valorizam muito mais as necessidades do que os desejos. Possuem um grau de responsabilidade altíssimo, pois o seu caráter é que constrói a sua imagem como um líder.

Eu vivi dias intensos observando o dia a dia dos monges e volto com a certeza que tenho que continuar trabalhando todo dia para tentar ser uma pessoa melhor do que ontem. Tenho um grau de responsabilidade altíssimo ao cuidar das pessoas que me seguem e luto para manter os meus princípios e fazer as pessoas terem entusiasmo pelo que fazem e admiração pelo líder que sou.

Eu trabalho para eles.

"Tudo que somos é resultado do que pensamos"

— A regra de ouro, por Siddhartha Gautama