Pessoas boas não deveriam partir

Renato Guimarães
Nov 5 · 3 min read

“Renato Guimarães Neto, filho de Renato Guimarães Filho, filho de Renato Guimarães”

É dessa forma que alguns amigos de São Paulo, carinhosamente, brincam com a minha origem familiar. Eu, obviamente, sou o Neto e levo uma responsabilidade imensa em ter o nome destes dois, que são os homens mais incríveis que eu conheço. Ética, caráter, amizade, amor e preocupação com o próximo, sendo da nossa família ou não, são as características mais marcantes que levo em minha genética. Não tenho dúvida que Isso faz de mim um homem melhor, pessoal e profissionalmente, mas sempre buscando evoluir me espelhando neles.

Hoje, 04 de novembro de 2019, faltando uma semana para o seu aniversário, meu avô, o “Seu Renato” como sempre foi chamado, nos deixou nesse mundo, mas com a certeza de que fez tudo que esteve ao seu alcance, sempre pensando em sua família e no amor de sua vida, minha avó Zezé.

Dono de olhos azuis lindíssimos, que por muito tempo me perguntei porquê eu não os tinha, sempre teve no olhar a calmaria. Passava tranquilidade na forma de andar, arrastada, na forma de falar, com a voz anasalada, nas brincadeiras com seus netos e bisnetos e na forma educada e gentil como sempre tratou todas as pessoas. A única coisa que eu via meu avô causando era no espirro, um baita espirro, que acordava toda vizinhança e fazia minha vó Zezé gritar, “Êêê Renato”. Engraçado que meu pai herdou esse espirro, igualzinho, e eventualmente eu forço um espirro como esse apenas para lembrar deles e na mesma hora dou risada.

Deco, meu avô dando seu tchau, eu e meu pai ajudando minha avó a subir na lancha.

Falando em brincadeiras, cada neto tinha um apelido, que ele trazia das suas origens da fazenda e do interior ou com a ajuda do meu pai e meus tios, tranca rua, cocheia, gamela, pato roco, branco véi, cabélos, tuti do bode, maria da jega, páiron man, eram alguns dos apelidos, que muitas vezes até hoje nós, primos, nos chamamos.

Ao lado de minha avó Zezé criou 5 filhos, 12 netos e 9 bisnetos e levou sua simplicidade e alegria para todos. Não era de ficar abraçando e beijando as pessoas da sua família, só dona Zezé, essa aí toda hora ganhava “um cheeeeeiro” como ele sempre dizia. Adorava comer, principalmente doces, o que o rendeu o apelido de Formigão. Estava sempre mastigando alguma coisa e se fosse doce então se lambuzava.

Fazia de tudo em casa, limpava, arrumava, cozinhava e fora de casa, estava sempre andando pelas ruas do bairro trabalhando, sim, indo levar as mercadorias ou indo buscar o pagamento das coisas que minha avó Zezé vendia.

Eu, meu avô e meu pai, comemorando o que seria o seu último dia dos pais

A partida de uma pessoa assim, como descrevi meu avô, dói muito para mim e para minha família. A saudade vai ser grande, muito grande mesmo e vamos ter que aprender a lidar com ela e transformar em algo bom, de como sempre tivemos ao seu lado, momentos alegres, marcantes e felizes.

Vai em paz meu avô, vai em paz Seu Renato. Você com certeza foi uma das melhores pessoas que eu conheci.

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