Inédito! Anúncios no Facebook serão públicos e liberados nas Eleições

Ainda sobre o escândalo da Cambridge Analytica e as ameaças de interferências nas eleições do Brasil, o Facebook aproveitou e anunciou mudanças na plataforma de anúncios, trazendo mais transparência. No entanto, vale lembrar que as mudanças começaram ano passado, sem relação alguma com o escândalo.

O local escolhido para os testes foi o Canadá, um país que tem uma história política muito curiosa. Por ser uma ex-colônia inglesa, a rainha do país é a Rainha Elizabeth da Inglaterra (isso mesmo), representante máxima também na Austrália, entre outros locais, porém quem manda mesmo é o primeiro ministro e o parlamento.

Ferramenta Exibir Anúncios

Voltando ao Facebook, o novo recurso foi chamado de “Exibir Anúncios”. Ao acessá-lo, o usuário poderá visualizar todos os anúncios feitos por uma página, mesmo que eles não apareçam em sua timeline.

Apesar do foco ser a política, qualquer página terá sua “privacidade de anúncios” aberta. Os testes devem ser finalizados em junho e a ferramenta ser lançada globalmente, cerca de um mês antes do início das campanhas presidenciais no Brasil.

Será difícil de esconder as estratégias dos concorrentes, porém trata-se de uma boa oportunidade de aprendizado compartilhado e novas influências. O marketing tem muito a crescer em termos de conhecimento.

Para anúncios políticos, mais transparência ainda

A implementação do novo recurso será mais abrangente com anúncios políticos. Toda página que faça este tipo de propaganda deverá mostrar imagem, texto, valor gasto e informações demográficas do público alvo.

O viés é que para ser autorizado a fazer anúncios políticos pelo Facebook, os anunciantes vão precisar confirmar sua identidade e localização. Os anunciantes serão proibidos de exibir anúncios políticos — eleitorais ou baseados em temas nacionais — até que sejam autorizados.

Para aumentar ainda mais a transparência, esses anúncios serão identificados de maneira clara no canto superior esquerdo como um ‘Anúncio Político’. Também serão mostradas as informações de quem é responsável pelo pagamento.

Nas eleições passadas, inclusive, houve uma polêmica envolvendo a campanha de Geraldo Alckmin em que anúncios foram veiculados e, por um pedido judicial de Skaf, o Facebook foi obrigado a revelar quem pagava a conta de anúncios. No caso, era o tesoureiro do próprio partido.

Estas serão a primeira eleição com propagandas no Facebook e Instagram permitidas no Brasil. Antes, eram proibidas as campanhas via rede social. O que mudou? A reforma política sancionada por Michel Temer em outubro de 2017.

Os usuários podem ajudar também denunciando anúncios políticos que estão sem o aviso. Afinal, a inteligência artificial sempre abre brechas. Neste caso, os anunciantes poderão ser até banidos.

Vale lembrar

Campanhas políticas só podem começar a partir do dia 5 de julho, segundo o Art 36 do Código Eleitoral. Já no dia da eleição é proibido fazer qualquer tipo de publicação.

Dica: Em contato por telefone com o Facebook nas eleições passadas eles solicitaram ficar de olho nas campanhas dos peixes grandes, como Dilma e Aécio. Na época, até mesmo colocar logo do partido e o número, poderiam dar problema. Então, na dúvida, foque nas campanhas do Alckmin e do candidato do PT principalmente. “Os gerentes de marketing do PT estão aqui praticamente todo dia”, me afirmou na época um dos responsáveis por anúncios na rede.

Sem espaço para conta fake

Já usou o Facebook para Negócios? business.facebook.com

Antes do Facebook para Negócios era comum que pessoas criassem fakes para administrar páginas. Agora, quem continuar com essa prática terá sérios problemas.

As pessoas que gerenciam páginas com grande número de seguidores terão de ser verificadas, correndo o risco de serem proibidas de publicar conteúdos na fanpage.

Outros contextos serão mais claros também, como um histórico se a página mudou de nome recentemente. Não é difícil encontrar casos de alguém criar uma página com o nome “Fã Clube La Casa de Papel” e depois mudar a página para uma empresa, se aproveitando do número de fãs.