V Seminário Presença Africana no Brasil

De 14 a 16 de outubro de 2014


Seminário propõe rompimento do silêncio sobre racismo nas instituições

A necessidade de quebrar o silêncio sobre a permanência do racismo pautou a abertura do V Seminário Presença Africana no Brasil na noite do dia 14 de outubro. O evento está sendo realizado no auditório do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Paraná (APP), em Curitiba.

Neste ano, o seminário discute o legado de uma década do Parecer 03/2004 e da Resolução 01/2004, que instituíram o ensino obrigatório da cultura e da história afro-brasileira na educação nacional. Embora essa determinação legal exista há 10 anos, a maior partes das instituições de ensino não promoveu a inserção do tema nos currículos escolares.

Na cerimônia de abertura, o coordenador do seminário e presidente da SINDUTF-PR, Ivo Pereira de Queiroz, destacou que a ausência de debate sobre a questão racial contribui para a permanência do racismo nas instituições. “A universidade possui muita gente negra, mas poucas são docentes, poucas são discentes e poucas assumem cargos de direção”, acrescentou.

Na abertura, a representante da APP-Sindicato para questões de gênero, relações étnico-raciais e direitos LGBT, Elizamara Goulart Araújo, salientou a importância da atuação conjunta das universidades e das instituições de educação básica no combate ao racismo.

Para a professora Nanci Stancki Silva, diretora da SINDUTF-PR e vice-coordenadora do Programa de Pós-graduação em Tecnologia (PPGTE) da UTFPR, a universidade precisa enfrentar e debater a desigualdade e a exclusão social, aceitando a diversidade. “Se depois de 10 anos ainda estamos participando de um evento para discutir uma lei que ainda não foi implementada, isso significa que ainda há muito que construir”.

A ausência de uma aplicação mais efetiva do Parecer 03/2004 e da resolução 01/2004 assemelha-se a outras temáticas silenciadas nas instituições de ensino, na opinião do professor Lino Trevisan, chefe do chefe do Departamento Acadêmico de Estudos Sociais da UTFPR. Segundo ele, também o compromisso com o ensino de libras e com a acessibilidade permanecem sendo objeto de pouca discussão e ações efetivas nas universidades.

O diretor do câmpus Curitiba da UTFPR, Cesar Augusto Romano relembrou a origem a UTFPR como Escola de Aprendizes e Artífices, voltada para a população de menor renda. De acordo com Romano, a instituição tornou-se elitista com o passar do tempo e agora precisa estar atenta às novas demandas sociais e à necessidade de trabalhar com a diversidade e o fim da exclusão.

A programação do evento tem a participação de pesquisadores e militantes do movimento negro e encerra-se na quinta-feira, dia 16 de outubro. O seminário é uma realização do Departamento Acadêmico de Estudos Sociais da UTFPR (DAESO), do Programa de Pós-graduação em Tecnologia (PPGTE), do Núcleo de Estudos Afro-brasileiros e Indígenas e da SINDUTF-PR.

Fonte: SINDUTFPR


Programação

14/10/14

19h: Abertura
19h30: Conferência “A universidade e o combate ao racismo”, com Maria Nilza da Silva, da Universidade Estadual de Londrina (UEL).

15/10/14

8h30: Mesa Redonda “Dez anos do parecer de Petronilha Beatriz no CNE: avaliações e perspectivas”, com Wanderson Flor do Nascimento, da Universidade de Brasília (UnB) e Maria Nilza da Silva, da UEL.

10h30: Mesa redonda “Identidades Vinculada à Presença de Minorias Étnico-Raciais na Universidade”, com Norma da Luz Ferrarini, Francine Rocha e Ana Elisa de Castro Freitas, da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

14h: Conferência “Ministério Público, Direitos Humanos e o Enfrentamento do Racismo nas Instituições de Ensino Superior”, com a procuradora Maria Seifert Bazzo, do Ministério Público do Estado do Paraná.

16h: Diálogo com discentes a respeito das questões raciais.

17h30: Momento cultural.

16/10/14

8h30: Conferência “Filosofia Africana” com Wanderson Flor do Nascimento, da UnB.

10h30: Mesa redonda “Presença de estudantes negros na universidade — mitos e realidades”, com a participação de José Antônio Marçal, do Programa de Pós-graduação em Educação (PPGE) da UFPR e de Rosa Amália Espejo Trigo.

14h: Palestra “A educação no cotidiano do terreiro de candomblé”, ministrada por Dalzira Maria Aparecida (Iyá-Guña).

16h: Encerramento do evento com homenagens pela história de combate ao racismo, com a participação de Jaime Tadeu da Silva e de Dalzira Maria Aparecida (Iyá-Guña).


Vídeos

Confira abaixo o registro das palestras e debates na íntegra.


Abertura "V Seminário Presença Africana no Brasil"

Evento realizado no Auditório do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Paraná (APP)

Conferência “A universidade e o combate ao racismo”

com Maria Nilza da Silva, da Universidade Estadual de Londrina (UEL)

Mesa Redonda “Dez anos do parecer de Petronilha Beatriz no CNE: avaliações e perspectivas”

com Wanderson Flor do Nascimento, da Universidade de Brasília (UnB) e Maria Nilza da Silva da (UEL)

Mesa redonda “Identidades Vinculada à Presença de Minorias Étnico-Raciais na Universidade”

Norma da Luz Ferrarini, Francine Rocha e Ana Elisa de Castro Freitas, da Universidade Federal do Paraná (UFPR)

Conferência “Ministério Público, Direitos Humanos e o Enfrentamento do Racismo nas Instituições de Ensino Superior”

com a procuradora Maria Seifert Bazzo, do Ministério Público do Estado do Paraná.

Diálogo com discentes a respeito das questões raciais

Conferência “Filosofia Africana”

com Wanderson Flor do Nascimento, da UnB

Mesa redonda “Presença de estudantes negros na universidade — mitos e realidades”

com a participação de José Antônio Marçal, do Programa de Pós-graduação em Educação (PPGE) da UFPR e de Rosa Amália Espejo Trigo

Palestra “A educação no cotidiano do terreiro de candomblé”

com Dalzira Maria Aparecida (Iyá-Guña)

Encerramento com homenagem a Jaime Tadeu da Silva e a Dalzira Maria Aparecida (Iyá-Guña) pela história de combate ao racismo