Eu SA: anônimo, divertido e entusiasmado

Apesar da formação e da atuação focada em comunicação, marketing e negócios, sou um cara multidisciplinar que gosta de viver e entender várias áreas. Isso já me gerou muita angústia porque eu vivia dizendo para mim mesmo que deveria criar uma personalidade, algo que me marcasse verdadeiramente. Hoje em dia, eu não me importo muito com isso porque estabeleci um compromisso com a melhoria contínua e ela não me dá tempo de lamentar que deveria tentar ser reconhecido como A, B ou C.

Eu sou anônimo, não existe pressão, e isso facilita muito as coisas em um processo de sempre se superar. Por enquanto, não ofereço um serviço na internet pelo qual as pessoas me pagam. Tampouco tenho uma imagem pública a zelar ou estou prestes a assinar um grande contrato. Aproveito meu anonimato com muito entusiasmo. Até mesmo porque (isso é cruel) as pessoas não estão interessadas no que eu penso, faço ou deixo de fazer. Elas estão ligadas nos seus afazeres, nas suas vidas, nas suas coisas, etc e tal.

Pode ser que as pessoas passem a prestar atenção em mim. Pode ser que eu empacote meu conhecimento e o venda por meio de um curso na internet. E aí o alerta vai ligar. Minha postura vai mudar. Não que vá ficar chato ou o tenha que virar um robô. É fato que não vou me corromper e vou manter minha integridade (papai passou esse valor muito bem passado, hehe), aconteça o que acontecer. Mas tudo vai mudar porque passarei a viver uma situação 100% inédita na minha vida. .

Além da integridade, também não abro mão da curiosidade, da gentileza, da persistência e da disposição para parecer estúpido. Ligo o foda-se mesmo! O que eu faço é apenas reproduzir o que milhões já fizeram. O que muda é o meu jeito. Ninguém tem ou faz igual. A verdade é que não existe nada totalmente original. As pessoas repetem as coisas porque elas precisam ser repetidas e fazem isso de várias formas e meios. A própria Bíblia diz: “Não há nada de novo abaixo do sol” (Eclesiates 1:9).

Vamos dar uma de Lulu Santos, portanto, e viver tudo o que há de mellhor para viver. E vamos compartilhar as boas coisas e as boas ideias. Quem é bom de verdade compartilha. Eu próprio entrego de bandeja todas as coisas que demorei anos e anos para aprender. Claro que é impossível fazer isso de uma só vez, mas em todo texto, por exemplo, entrego sacadas que levei uma vida para internalizar.

Faça isso você também. Sabe por quê? Porque volta para você com muito mais intensidade. Em forma de pessoas novas ou coisas novas, não importa. A verdade é que, no fim das contas, somos aquilo que pensamos. Então, se cerque de gente boa, de bons filmes, livros, fotos, poemas. Enfim, esteja perto daquilo que faz tocar sua alma.

E esteja à vontade para roubar dos outros. Suas ideias, sua forma de pensar, sua maneira de encarar a vida (eu roubei essa, aliás, do livro Roube como um Artista). Se achar que vai agregar para você, fique à vontade para roubar de mim. Se eu achar que vale a pena, pode ter certeza que não hesitarei em roubar de você. É como o cineasta Francis Ford Copola disse: “Você rouba, pega e coloca na sua própria voz. Assim, encontrará sua própria voz. É assim que começa. E então um dia alguém vai roubar de você”.

E como hoje estou especialmente viajando e demasiado emocional, proclamo Fernando Pessoa para terminar este texto: “Quem quer passar além do Bojador, tem que passar além da dor. Deus ao mar o perigo e o abismo deu, mas nele é que espelhou o céu”.