Humano, demasiado humano: uma história de conflito com meu lado sombra e meu lado luz

A escrita é uma aventura perigosa porque é nela que o coração se revela. Embora eu tenha o costume de ser transparente nas palavras, posso ser melhor compreendido por meio das entrelinhas. E apesar de esse texto ir para o LinkedIn, ele não tem uma pegada diretamente de business. Tudo, porém, está ligado. Não consigo deixar meu lado humano para me tornar estagiário, analista, gerente, diretor ou CEO.

Eu sou eu e minhas circunstâncias. Devo, portanto, me responsabilizar por tudo aquilo que me acontece. As dores e as delícias da vida fazem parte da minha rotina. Sou a todo momento testado para lidar com os dois lobos que existem dentro de mim: um mau e um bom. Meu lobo mau é tão rebelde que, na semana passada, recorri a Mario Sergio Cortella e ao Fábio de Mello para acalmá-lo. O lobo mau, claro, ficou confuso e baixou sua bola.

Eu sou eu e minhas circunstâncias. Devo, portanto, me responsabilizar por tudo aquilo que me acontece.

Apesar disso, ele insiste em vociferar contra o mundo e as pessoas. Ele é cruel e me faz questão de lembrar da existência da raiva, da inveja, da arrogância, do vitimismo, da culpa, da inferioridade, da falta de confiança, da superioridade e do ego. O lobo mau me aponta determinados alvos e insiste que eu os compreenda assim: “Bonzinho demais, legalzinho demais, mas no fundo… hahahaha. Todos querem te ferrar, seu trouxa!”.

E aí o sentimento de inadequação ao mundo surge e é acompanhado de outros grandes males que são construídos dentro da minha mente. A inércia se estabelece, a água fica turva e não consigo enxergar uma fresta de luz no fim do túnel. Passo a questionar a fé, a duvidar de Deus, da justiça e dos bons costumes. Tampouco sou capaz de me alegrar em meio a um universo que, em vez de flores, me oferece insatisfação e inquietação.

“Bonzinho demais, legalzinho demais, mas no fundo… hahahaha. Todos querem te ferrar, seu trouxa!”.

Do jeito que posso, luto contra esses sentimentos negativos. Como um guepardo, me desvencilho dos meus principais algozes. Na busca aflita por um fiapo de esperança ou um trago de paz, conheço novas pessoas, peço o que desejo e elas me ignoram. Isso dói. É pior que uma briga, que receber um não ou uma palavra de apoio (mesmo que não tão verdadeira). Aí eu penso que está tudo acabado, que é o fim da linha e não tem mais para onde ir.

Então, com as esperanças já estraçalhadas, o lobo bom entra em cena e me lembra que existem sentimentos de alegria, de fé, de serenidade, de paz, de esperança, de humildade, de benevolência, de empatia e de generosidade. Ele se posiciona de forma convicta e acalma meu coração. Diz que nada é por acaso. Que tudo tem um porquê. E que era necessário passar por um pesadelo para aprender uma lição.

[…] nada é por acaso. […] tudo tem um porquê. […] era necessário passar por um pesadelo para aprender uma lição.

Soberano e imponente no alto de uma montanha, o lobo bom me relembra o valor da gratidão, do trabalho duro, da perseverança e da certeza que o melhor está por vir. Ele me diz que às vezes é natural termos a impressão que o mundo e as pessoas nos viraram as costas, mas tudo é uma questão de interpretação. O mundo não é bom e nem ruim. O mundo é aquele que escolhemos enxergar e participar.

Se acreditarmos que ele é injusto, ele será. Se apostarmos que ele é justo, ele também será. Dentro de mim, o lobo bom acaba sempre prevalecendo soberano e imponente no alto da montanha por mais que meus dias sejam duros (e eles têm sido). O lobo mau, por sua vez, continua aqui e ele sempre vai existir porque faz parte de mim. Temos uma relação de conflito, mas nunca de confronto.

[…] tudo é uma questão de interpretação. O mundo não é bom e nem ruim. O mundo é aquele que escolhemos enxergar e participar.

Conflitos são bons, são necessários, são construtivos e têm o objetivo de fazer com que a relação continue. Já no confronto prevalece uma condição hostil, de destruição. Segundo Mario Sergio Cortella, “conflitos são inevitáveis. O que não pode acontecer é que o conflito se transforme em confronto, que vem a ser a tentativa de anular o outro”. Eu seria irresponsável, portanto, de estabelecer um confronto com meu lobo mau.

Tampouco vou confrontar as condições adversas que a vida e as pessoas porventura me apresentam. Me responsabilizo por todas situações porque fui eu que as criei. Encaro-as com muita dignidade, cabeça erguida e sorriso no rosto. E quando a energia cai penso nas maravilhas que a dor e a tristeza me trazem. Elas dão o norte, por exemplo, dos caminhos que realmente importam serem percorridos. Aí eu concluo: quando eu estou mais fraco, estou mais forte.

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