Para inovar é preciso prestar atenção em pessoas, não em coisas

No último texto aqui no Medium, falei sobre a criatividade e seus mitos. Um outro tema ligado a ela é a inovação, que muitas vezes resulta de uma ideia criativa. Para ser chamada de inovação, uma ideia precisa ser replicável a um custo econômico, ao mesmo tempo em que responda a uma necessidade específica. Para ser inovador, é preciso informações, imaginação e iniciativa. Inovação também é sinônimo de riscos, pois em negócios o objetivo é criar novos mercados.

Haja vista dois dos atuais titãs do mercado, Airbnb e Uber, que sem ao menos possuir, respectivamente, um imóvel ou carro, se tornaram a maior rede de hotéis do mundo e a maior empresa de táxis do planeta. Mas antes de falar dessa idade de ouro da inovação, em que a tecnologia está transformando as bases da existência humana, que tal dar uns passos para trás e lembrar das inovações passadas?

Existem debates acalorados mundo afora sobre qual foi a inovação mais importante da terra. Meu objetivo não é requentar tal discussão. O fato é que feitos como a água encanada, o rádio, a luz elétrica, o microscópio, o avião e os telefones celulares mudaram a forma como existimos e nos comportamos. Essas inovações nos garantiram presenciar a convergência entre estudos, experiências, ciência e tecnologia. Atualmente, a conclusão é que a inovação é mais robusta que nunca.

Duas das empresas mais inovadoras do mundo do século XXI, o Facebook e o BuzzFeed abraçam uma evolução constante em seus processos. Elas correm o risco de se perder no meio do caminho, é claro, mas essencialmente criaram uma cultura de muita curiosidade e abertura ao aprendizado. Outras gigantes como Amazon, Apple e Google parecem cada vez mais famintas e também avançam a passos largos (ou voos altos) em serviços, produtos e informações. O Google, por exemplo, atua para ir além da sua missão de organizar toda a informação do mundo. Larry Page e companhia também trabalham para erradicar doenças e colocar carros sem motoristas nas ruas.

Pode ser possível que você não opere num contexto com ligação direta com empresas da magnitude dessas que foram citadas. Isso, porém, não é desculpa para fechar os olhos e não acompanhar o que essas organizações vêm fazendo. Existe uma grande oportunidade de avançar se inspirando nesses novos modelos de negócios. Verdade seja dita que ninguém vai inventar a roda e não existe uma inovação totalmente inédita. Ela sempre parte de algo que já existe.

Sendo assim, um dos desafios é abstrair conceitos e aplicá-los à realidade. Mas como inovar em negócios menores, por exemplo? Calma! Não precisa criar um iPhone ou um iPad para inovar. O primeiro passo é, antes de atender, entender o cliente. Conhecê-lo intimamente pode assegurar ideias para atuar de forma inovadora. Um problema do cliente, por exemplo, pode ser uma oportunidade para vender uma outra solução que ainda não faz parte da sua oferta de produtos e serviços.

Abrir-se a testes, em modelos como o proclamado por Eric Ries em seu best-seller A Startup Enxuta, também pode ser uma ótima ideia para começar. Ouse um pouco mais, portanto, e invista num modelo de MVP (Mínimo Produto Viável, na sigla em inglês). Por fim, e o mais importante do texto, vale destacar que quaisquer empresas precisam lembrar que a inovação não está restrita a produtos, serviços, tecnologia e pensamento criativo. O foco deve estar nos motivos pelos quais o cliente não consegue resolver seus problemas de maneira adequada. A inovação, portanto, encontra seu cerne em pessoas, não em coisas.

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.