O que aprendi com cinco maratonas e como você pode se beneficiar disso

Não sou professor de educação física, tampouco fisioterapeuta ou nutrólogo. Minha formação é em comunicação, marketing e negócios. Mas tenho alguma autoridade para falar de esportes pelo fato de praticar há anos. Costumo dizer que o esporte é o meu remedinho contra quaisquer males que possam me afetar.

Apesar de eu praticar musculação e futebol também, vou concentrar meu texto em torno das corridas de rua, em especial das cinco maratonas que já participei na vida. Desde 2011 estabeleci uma meta que correria os 42.195 metros uma vez por ano e deste então já participei de três provas no Rio, uma em Porto Alegre e outra em Buenos Aires.

Definitivamente, a maratona exige um forte preparo físico, mental, espiritual e emocional. Não é como uma prova de 5 ou 10 km que você se prepara meio de qualquer jeito e vai na loucura. Se fizer assim para encarar 42 km, você quebra. Acompanhe comigo, portanto, quatro passos que me fizeram um ser humano melhor e como você pode se beneficiar disso:

PLANEJAMENTO E PREPARAÇÃO SÃO FUNDAMENTAIS

Assim como em qualquer grande feito que você vai realizar na vida, é necessário planejamento e preparação. Numa maratona, é um dia de cada vez, sempre alternando os treinos mais longos e mais curtos. Aprendi com tudo isso que, para você alcançar um grande meta, leva tempo e paciência. Não adianta dar um sprint, pois isso só vai trazer dor de cabeça. Uma meta muito grande geralmente assusta, mas você chega lá se cumpri-la no step by step.

LIMITES — QUAIS LIMITES MESMO?

Não temos a menor noção dos nossos limites. A maratona me mostrou isso de forma clara e explícita. Os 42 km me levaram a um limite que eu pensei que fosse meu fim. Mas esse fim era apenas um começo que me mostrou que eu podia ir muito além. Não sou especialista nesses bagulhos de neuro não sei das quantas, mas posso garantir que existe aí dentro de você uma força do tipo Super-Man. Acredite em mim, você pode fazer e ser quem você quiser.

A DOR É TEMPORÁRIA, MAS A GLÓRIA, ETERNA

Essa é uma frase do multicampeão mundial de ciclismo Louis Armstrong (tô me cagando para as bombas que ele tomou). Eu a adoro e levo para a vida. Por coincidência, ou não, todo maratonista também adora. Além do sentido que representa por si só, podemos relacioná-la com a vida. Geralmente, nós brasileiros fazemos as coisas ao contrário: queremos sentir prazer no curto prazo e isso resulta em dor mais pra frente.

Explico: é como comprar um carro a prestações a perder de vista. No início, é uma maravilha: carro novinho, gatinhas em cima e tal, mas depois você se lasca com a dívida e chora lágrimas de sangue ao se dar conta que pagou quase o dobro do valor pelo carro. O melhor é ter a dor no curto prazo (como em uma Maratona, que dói muito, mas depois que você cruza a linha de chegada é glorificado para sempre) e curtir depois. Outro exemplo? Fazer dieta às vezes é um saco, mas depois que você consegue mudar de hábito e vê resultados. É lindo!

PESSOAS E PALAVRAS QUE DÃO MUITO MAIS QUE UMA FORÇA

Embora a corrida seja um esporte individual, você acaba fazendo amizades ao longo dos 42 kms. No meu caso, chego a uma média de quatro horas de prova (meu recorde pessoal é 3h40min, em Buenos Aires, mas teve uma no Rio que fiz em 4h55min), ou seja, são quase 240 minutos correndo sem parar. Principalmente no final, quando você está muito desgastado (para não dizer morto), uma palavra amiga pode te levar ao céu e determinar seu sucesso em uma prova. A maratona me fez dar ainda mais valor às pessoas e às amizades. Me fez abrir os olhos também para a importância e a força das palavras. Pessoas e palavras são duas coisas muito poderosas e devemos tratá-las com muito, muito cuidado.

EXTRAS

Bom, parei e brinquei, pois nesse texto prometi que escreveria menos, rsrs. Resumindo em poucas palavras, sou privilegiado de ser um maratonista que soube extrair grandes aprendizados para a vida: descobri que nos limitamos muito e isso é um perigo danado; tenho plena noção que a dor a curto prazo pode ser incrível para a realização dos meus sonhos; e passei a valorizar mais as pessoas e as palavras.

Para quem ficou curioso, em outubro correrei meus 42 km do ano. Será em São Paulo e mal posso esperar pelas lições que me aguardam!

See you, folks!!! :)

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