Por que nem sempre cobro (dinheiro) pelo meu trabalho

Porque muitas vezes recebo em troca algo que tem mais valor

Pra contextualizar brevemente: sou altamente grato pelo privilégio de ter uma família que nunca me deixou faltar nada até que me formasse. Não que nadássemos em dinheiro, mas sempre tivemos “cumida e durmida” como diria meu velho avô. Entrego trabalhos pontuais relativamente bem remunerados, o que, combinado com o fato de que minha companheira tem um trabalho fixo, permite que a gente segure bem a onda. E parece óbvio, mas é bom deixar claro que não estou dizendo que todos devem trabalhar de graça, e sim que em alguns casos eu gosto de entregar meu tempo em troca de algo que vale mais do que dinheiro — e não estou falando de barras de ouro.

Já fiz isso com alguns trabalhos, entre eles, as Abunda Sessions, atualmente com facilitações em um programa de formação empreendedora e vou fazer novamente, como já fizemos em 2014, com a nova turma da Autoaceleradora, que começa no final desse mês. Enfim, se você acompanha o que eu faço, hora ou outra vai se deparar comigo dizendo que faço algumas coisas sem cobrar por isso.

Mas o que tem mais valor do que dinheiro?

Numa roda, dia desses, falávamos sobre como a “economia colaborativa” é algo lindo, mas que não é algo novo e sim que ela está sendo apenas teorizada porque algumas pessoas voltaram a valorizar trocas não-monetárias. Claro que não posso oferecer mentorias na feira em troca de frutas e legumes, mas consigo algumas coisas que me fazem bem e fico feliz com isso. Pode ser a fé de que um negócio brilhante está surgindo, a ajuda a uma causa que me é cara ou simplesmente a sensação de dizer algo que faça sentido pra algumas pessoas. Ou então a experiência em si, reconhecimento, gratidão pelo que já conquistei e pelo que me foi entregue sem mérito nenhum; o encantamento pelo potencial retorno pra mim ou pro “cliente-não-pagante”; retroalimentação de uma rede que me ajuda em diversos momentos; ou mesmo audiência (é bom ser ouvido e lido =)). Enfim, cada um decide o que é importante*.

(Foto Carlos ZGZ. Copyright terms and licence: domínio público)

Contraponto: esse cara, que diz que não, de forma alguma devemos trabalhar de graça. (alô, Rei!). De qualquer forma, se você trabalha em uma agência de comunicação ou outra empresa da indústria criativa, é bastante provável que já tenha trabalhado de graça sem mesmo saber por que (“alguém quer pizza?”)


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