Distopia

Quando o presidente Lula foi, finalmente, para a cadeia pelo par de anos que lhe sobrava, o destino do Brasil começava a ser selado.
A sucessão de impeachments – de Dilma, de Temer e de Rodriguinho – a eleição de Bolsonaro e a improvável criação do assim chamado Eixo Novo (com China, Cuba, Rússia, África do Sul e Venezuela) tornaram o Brasil uma ameaça aos países vizinhos, e, por consequência, à política externa norte-americana.
Com números expressivos em sua primeira eleição majoritária, e apoiado pelo grosso das bancadas religiosas no Congresso, Bolsonaro estende seu programa “higienizador” por todas as áreas, suprimindo favelas, acabando com o Carnaval de rua, proibindo manifestações políticas, jogos de futebol com torcida mista, diretórios estudantis e o ensino de política nas escolas. Acaba por transformar o maior país da América Latina em uma republiqueta direitopata, armada até os dentes, isolacionista e predatória.
A união com a Venezuela pós-Maduro é um exemplo. Depois do banho de sangue em Caracas, que culminou com a explosão. literal da Assembleia Nacional, o governo de coalizão estabeleceu o Brasil como seu parceiro providencial, firmando um acordo de exclusividade de uso do petróleo venezuelano ao país vizinho por oito décadas – tratado que praticamente excluiu o Brasil da crise dos combustíveis fósseis do fim do século XXI.
A elevação global do nível dos mares e a aliança com a China possibilitaram o desenvolvimento de um polo de energia alternativa no Nordeste brasileiro, fustigado pelos ventos, abrasado pelo sol.
A destruição de várias das belas praias do litoral, seguida da desertificação da região, começava a se tornar lucrativa de novo, com a nova Natal servindo – as usual – de capital, porto e base militar.
Não demoraria para que incidentes acontecessem. Em Washington, o centenário de Trump foi celebrado com pompa pela bisneta dos Clinton, presidenta eleita com uma plataforma política tresloucada que não faria inveja ao antigo antagonista de seus avós: de direita, racista, excludente e isolacionista.
Muros são construídos em vários locais de conflito ou infiltração em território estrangeiro: o que cerca a Amazônia Restante, pela escala gigantesca, o mais famoso deles, seguido do estadunidense, que cobre todas as fronteiras terrestres do país.
A roda da história se repete, em ciclos, com o esquecimento trazido pela morte das testemunhas oculares fazendo renascer velhas epidemias de guerra, genocídio e, a varejo, preconceitos detida sorte. O ser humano é um saco.
Desde agosto passado estamos isolados do resto do mundo, por conta da tão temida e aguardada investida americana na Coreia. Como diria Garrincha, o craque do nosso futebol, “faltou combinar com os argentinos”: nucs em Washington, NY e LA fizeram o resto, derrubando a internet e a economia global.
Agora. transformado em paraíso terrestre a ser temido e invejado, o estado militar brasileiro se destaca como exemplo de gestão humanista, preservacionista e, enfim, livre de corrupção. Por precaução, aposentadorias de políticos pressupõem o recolhimento compulsório destes a prisões-spas, que limitam a roubalheira a um mandato, com reinvestimento dos ganhos obtidos pelo crime nas próprias prisões. Com a crise, garantir um lugar bom para passar o resto da vida passou a ser mais lucrativo que roubar.
Se você está lendo isso, provavelmente estou morto, portanto, i’ll cut the crap e irei logo ao assunto. Fomos enganados, todos, por todos. De Sarney a Lula, da dupla Temer-Maia ao à dinastia Bolsomito. Fomos enganados pela ONU, pela política americana, pelos bispos evangélicos e gaytólicos, pelos donos de escravos, pelos médicos robôs, pelos latifundiários da carne clonada, pelas oligarquias dd produção energética pós-nuc: todos mentiram. Todos roubaram. Todos te foderam. Todos roubaram de seu futuro, de sua saúde, da educação de seus filhos, de uma velhice digna. Não há diferença entre os algozes, nem agora nem em tempo algum.
Vocês não podem não saber. Vocês não podem deixar de saber. Vocês não podem não saber…
