COMUNICAÇÃO INTERNA: POR QUE É TÃO DIFÍCIL SAIR DA MESMICE?

A comunicação — seja no formato publicitário, jornalístico ou de marketing — nunca passou por uma revolução tão expressiva e disruptiva como a de agora. Na última década este mercado se transformou de maneira tão acelerada que nem mesmo nós, os comunicadores e profissionais de marketing, somos capazes de acompanhar.

As notícias que chegavam primeiramente no papel passaram a cortar caminho no online. Depois os portais também perderam a velocidade para os blogs que, por sua vez, também disputam a notícia com as mais variadas redes sociais. Para aproveitar a audiência cativa, já temos telejornais transmitidos simultaneamente ao vivo nestas mesmas redes. Mais recentemente, as empresas entraram na festa da informação para fornecer conteúdo aos veículos de comunicação, que não viram problemas em se tornar um espaço de disseminação do branded content. Cansou? É só o começo.

A publicidade passeia livre em um crossmedia cada dia mais desprovido de fronteiras. Campanhas que começam no digital, continuam na rua e terminam dentro da sua própria casa — com uma holografia em plena sala de estar — abriram um universo de possibilidades para as mentes mais criativas. A tecnologia escancarou as portas para as melhores estratégias de comunicação. Quem entende do assunto surfa a onda com maestria e consegue melhores resultados.

E a comunicação interna? Por que ela é tão resistente às mudanças? Neste tsunami do mercado de comunicação, o que foi que nós fizemos ou deixamos de fazer para que ela continuasse estancada no mesmo modelo empregado nos anos 2000?

Mesmo nos ambientes mais inovadores de trabalho e até nos coworkings, a comunicação interna insiste em adotar o modelo quadrado que se assemelha muito ao dos avisos paroquiais.

A verdade é que esse formato é mais fácil e cumpre a sua mera função de informar. Criar, no entanto, uma linguagem com personalidade, que não comprometa a empresa juridicamente e seja interessante a ponto de despertar a atenção da maioria é um trabalho que exige bastante do comunicador.

Mesmo que muitas empresas invistam em algumas tecnologias como a TV corporativa, pouquíssimas têm coragem de inserir nestes canais um conteúdo mais leve, criativo, que atraia pela sua qualidade e provoque o lado mais lúdico dos funcionários. É comum, ao tentarem fazer uma comunicação assim, que os responsáveis caiam em uma linguagem demagógica, na qual tentam convencer os stakeholders de algo que não existe, criando um cenário falso de motivação e desconectado com a empresa e a própria área de comunicação.

Existem algumas respostas possíveis para este fato. Uma delas é que o investimento em comunicação interna é sempre secundário, considerando as prioridades de orçamento das empresas. (Aqui cabem parênteses: é curioso pensar que, ao mesmo tempo em que elas repetem o discurso de que os colaboradores são o seu maior patrimônio, pouco investem na área responsável por fazê-los sentir pertencentes à companhia).

A outra resposta está no modelo engessado de pensamento da própria área, que costuma ter dificuldades em superar o “sempre fizemos assim”.

A comunicação interna é uma planta seca que precisa urgentemente ser regada com água de fontes mais criativas. E o ponto de partida precisa ser triplo: design, posicionamento e linguagem. Aí está uma solução que não é segredo, mas insiste em não ser seguida.

Ninguém resiste a um layout atraente, uma personalidade coerente e um texto leve, criativo e bem escrito.

Que tal provocar essa mudança e investir em profissionais capazes de fazê-la? :)