O QUE A PRAÇA OSÓRIO ME ENSINOU SOBRE A ESCOLHA DE EMPREENDER

Uma das primeiras coisas que senti quando escolhi deixar o mundo corporativo para plantar as sementes da minha própria empresa foi o gosto da liberdade. Uma sensação parecida com a de abandonar as muletas após tanto tempo agarrando-me a elas, como se fosse impossível caminhar sozinha. Eu havia me esquecido de que conseguia.

Então, dependendo mais do que nunca das próprias pernas para chegar a algum lugar, eu entendi o que significava a liberdade para mim. Ela não tem nada a ver com a diminuição de responsabilidades — pelo contrário. É mais parecida com uma emblemática passagem minha por uma feirinha no centro de Curitiba. Explico.

Eu havia acabado de sair de uma reunião proveitosa com um cliente. Então, voltando para casa a pé, mudei o caminho e cheguei à feira de inverno da Praça Osório. Eram 16 horas de um dia acinzentado. As barraquinhas exalavam cheiro de quentão e pastel. Só um curitibano de verdade sabe quantas memórias estas feirinhas despertam e como elas nos fazem sentir em casa.

Ah, como foi bom passear por aquelas barracas! Experimentei pantufas, cheirei os sachês de sabonetes artesanais, conversei com a moça das boinas de tricô, coloquei na cabeça um par delas e falei que “fica para a próxima, não combinou”.

Tomei quentão. Comi pastel.

Era só uma feirinha que está lá todos os dias, inclusive até depois do expediente. Mas ela foi a representação clara da minha liberdade. O endosso da minha melhor decisão.

Eu escolhi poder mudar o caminho de volta para a casa e tomar quentão na feirinha, porque ela estava disponível para mim. E eu… ah, eu não uso mais muletas. :)