12.07.2016

Estávamos três, garrafas esverdeadas em cima da mesa, corpos bambos e exaustos e por algum motivo me lembrei de uma história. Disse, em meio a risadas, com olhos pequenos: “teve uma época da escola que eu quis de qualquer jeito dar o meu melhor para tudo que eu fizesse. por mais que eu soubesse que era horrível com jogos de bola, entrei na turma do vôlei. em dois meses tinha torcido ou quebrado os dois mindinhos”. Eu ri. Depois abracei, dancei, ri mais um pouco. E vim pra casa dormir.

Faz dois dias que essa história não sai da minha cabeça. Não consigo chegar a nenhuma conclusão com ela e não tenho a menor ideia do motivo de escrever ela aqui hoje e agora.

Tem uma tristeza nesses dedos quebrados, tem um desperdício de energia enorme ali. Eu sei lá porque eu precisava me sentir dando o melhor de mim pra tudo. Mais do que eu não ser boa com jogos de bola, eu os detesto. Porque eu só não aceitava que achava aquilo um saco e parava de me martirizar tanto?

De verdade. Se você tá lendo isso, me desculpa. Eu não tenho a menor ideia de onde eu quero chegar com esse texto. Só queria dizer que agora me sinto de novo aquela aluna de vôlei tentando se esconder da bola. A diferença é que escrever me dá prazer, junto com o medo. Vôlei era só medo mesmo.