Vinte e seis
A cada esquina uma memória me toma os passos. O beijo demorado que dei naquela árvore, o abraço de despedida naquele banco do metrô, o choro descontrolado naquela praça, o passo leve naquelas escadarias. As trilhões de pessoas que conheci e que agora cruzam meu caminho todas juntas. Há alguns meses eu sentia uma vontade desesperadora de me despedir de todas essas esquinas. Agora me toma uma vontade de ressignificar todos esses espaços. Quero cruzar com mais dois milhões de pessoas e abrir novos caminhos. Na terra e dentro de mim.
É, Rio. Essa nossa despedida vai ser longa e demorada. Ainda nos falta muito suor, vento na cara, choro, grito, riso, dança. Quando essa cota estourar eu já nem sei se vou querer sair daqui mais.
Como faz quando, depois de oito anos, você se dá conta que se apaixonou perdidamente por uma cidade?