Picasso — A morte de casagemas

Talvez não amanheça como todos queiram. Talvez esta seja a irritação que ainda me apego. Claro, depois disso vem muitos despreparados sentimentos para me confortar. Pouco sei o que há neles. Entretanto, acho que há nisso uma oportunidade de mostrar como me mantive sereno para no fim usar disso como prova do que sinto por ti. Mas contraído fico e pouco sei como te provar o que sinto.

Lembro que numa estória japonesa, um dos personagens principais voltava do horário de almoço para o trabalho. Este, procurando suspender o delírio do capital, senta-se no banco de um parque. Num momento inoportuno o personagem se levanta para ver o reflexo da água parada. Um tumulto toma de conta do calmo instante que consentia e admitia estar sentindo. De repente, um surto no silêncio o impede de continuar concentrado no que decididamente estava. Lembro que era a estória de um prédio e de um sujeito tirando a vida de outros. “kamikaze” — diziam alguns gritos ensurdecidos. As pessoas corriam para fora, no entanto algo o fez correr para dentro do prédio. Talvez a sensação de descontentamento o levou a tal ato, afinal era meio dia e o almoço em algum mcdonalds não havia agrado nenhum para preencher a estonteante vida vazia que tinha. Talvez somente esta agonia possa demonstrar o fim da vida. E essa fosse a prova do que sentia por alguém, embora negativa. Estaríamos aqui no extremo da existência e Sócrates também sabe o que fez quando partiu de forma consentida para a guilhotina.
edward hopper — the city
Essa estória é mais surrealista do que posso contar. Talvez carregue você ao abismo. Mas ela só me carrega ao estimulo de algum pensamento mal amado que nunca tive vontade de dizê-lo. Nada de ódio para com a vida, afinal, eu ainda não sei como provar o que sinto.