Chá das 5

Estou tentando me tornar uma profissional. Uma profissional em casa, no trabalho, no sexo, nas baladas. Um alguém nobre de nascença e puramente capaz. Capaz de tudo. De jogar seu jogo e ser vitoriosa nos meus.

Estou deixando pra trás aqueles vícios mesquinhos que trouxeram nada além de uma fria incapacidade. Talvez eu perca um pouco da minha criatividade, dos meus silêncios e da minha ausência doce. Talvez até deixe de te encontrar, pois agora estou nivelando por cima.

Falando de política como qualquer outra que é sombra dos jornais; frequentando galerias de arte como se soubesse interpretar textos; fumando cigarros eletrônicos e bebendo gim; vestindo seda sob veludo; falando de sexo como quem quer falar de amor.

Os nossos discursos ficarão para trás. Agora serei somente exclamações entrecortadas, nada além de uma frase. Serei um quebra-cabeça para que tentem me encaixar. O drama do texto é acabar em si mesmo e se desmoronar a cada ponto final

Quero vislumbrar mais saídas e me deslocar dos compromissos complexos e da solicitude no âmbito familiar. Se você vier me visitar, quero que me traga um bolo. Uma torta. Um certificado. Um anel.

Se vier me visitar, traga, por obséquio, minha vida resolvida.

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