Vá que há tempo

Espera, eu não terminei. Você vai sair assim? Já foi. Se distanciando de mim, num caminhar numa vila escura como se fosse de repente. Mas na verdade, é bem calmo, tranquilo. Acho que até acendeu um cigarro. Espera. Em que língua falo agora? Já nem sei. Onde estou? Quem transou comigo? Foi tão efêmero, mas profundo…acho que houve algum tipo de penetração. Quem poderá me confirmar? Estou amando algo? Pelo que sei, já fui. Estou viajando num imenso sublinhar de instantes.
É engraçado quando penso em amor. Faço tramas, calculo momentos, penso em vocativos… E quando vejo são palavras. E quando as digo em voz alta, morreram. Não tem qualquer sentido. Essa montanha-russa de emoções trazem fé aos desesperados que me assistem e pedem por respostas. Mas acredito que vivo apenas para alimentá-los afinal. A cada questão de quando-onde-como, todos os pelos do meu corpo se eriçam, sou conjugada por outros que nada tem a ver com o que eu um dia fiz ou irei fazer.
Sim, estou cansada. Mas ainda digo para aqueles que quiserem me ouvir: afaste-se. Corra enquanto há tempo. Sob o céu. Nada. Sobre o céu. Nada.
Que surpresa!
