A Serra da Paulista

Por Clovis Vieira
Fotos: Leonardo Beraldo / Cromalux - foto de capa Udo Matiello

Importante pela diversidade e riqueza de suas atividades, a Serra da Paulista é um local fascinante por sua beleza natural. Inserida na área rural de São João da Boa Vista, abriga em torno de 470 pequenas propriedades rurais, com média de 20 hectares cada uma. 
Composta por floresta tropical, com altitude especial, é formada por solo fértil e clima excelente. A Serra possui águas correntes, cachoeiras, ar puro, rica fauna e magnífica visão panorâmica. São tantas as farturas, que o local ficou conhecido também como ‘Serra da Fartura’. Em sua parte alta, há, inclusive, o Bairro São Roque da Fartura.

Sítio Lareira de Pedras
Muitos turistas que sobem a Serra da Paulista conhecem fatos e lugares místicos, famosos por lá. Para muita gente, a Serra é um local sagrado, cheio de mistérios que precisam ser respeitados. Pessoas psiquicamente mais sensíveis têm histórias incríveis, vividas em seus recantos.
O casal Ana Laura e Nilson Zenun tem um sítio ali, cujo primeiro nome era ‘Sítio Lareira de Pedra’, no singular. No entanto, ao consultar a Numerologia (prática que recorre à simbologia dos números), ficou “muito claro!” que o sucesso do local estaria selado se houvesse a mudança para Sítio Lareira de Pedras, no plural. E assim foi feito. O sítio fica no Km 326, confirmado pelas placas de sinalização do Caminho da Fé.

LAREIRA DE PEDRA — Além da horta orgânica, o sítio conta com um pequeno apiário, uma plantação de callas e uma espaço que pode abrigar eventos.

Pequenos negócios
“Nós sempre fomos apaixonados por cachoeiras”, conta Ana Laura. “Daí, soubemos que o Sr. Josué Grespan queria adquirir um trecho de terras mais próximo da cidade. Então, fizemos a troca: 20 mil m² de um sítio que temos, por 2 alqueires dele, mais no alto da Serra”.
O problema, é que esse local é muito íngreme, uma montanha mesmo. Na época do negócio, poucos viam qualquer potencial ali, “mas nós vimos uma cachoeirinha nele, um fiozinho de água, e ficamos encantados, aquelas pedras enormes…”. Isso bastou para levar para lá o jovem casal.
A primeira providência, depois de fechado o negócio, foi frequentar um curso do Sebrae voltado ao turismo rural, como ferramenta de descoberta das potencialidades do sítio. “E um planejamento com Feng Shui, que nos orientou sobre a terraplenagem, a construção da casa e muitas outras etapas”. Feng Shui, palavra de origem chinesa, significa o conhecimento das ‘forças necessárias para conservar as influências positivas que estariam presentes em um espaço’.
Uma das etapas anteriormente planejadas para o lugar era uma horta de produtos orgânicos. Ana Laura confessa que, até este momento, esta ação ainda não gerou lucros, “mas é um prazer ter e trabalhar na horta de orgânicos”. O sítio também conta com um pequeno apiário e uma plantação de callas, flores também chamadas de ‘copos de leite’; ali são cultivados os amarelos. Na soma final, ela garante, esses “pequenos negociozinhos” ajudam a cobrir as despesas que são geradas. O que também vem colaborando no orçamento é o turismo receptivo. Por exemplo: quando ocorreu a inauguração da gruta de Nossa Senhora das Montanhas Azuis, a recepção aos fiéis foi feita no Sítio Lareira de Pedras. A mesma providência é tomada em algumas edições da Caminhada da Lua Cheia. “Aquele é um local que, nós esperamos, seja usado mesmo para fins turísticos. A nossa expectativa, neste momento, é construir uma pousada, um restaurante para atender os viajantes, os peregrinos, um local para eventos maiores como casamentos e festas”, ela sonha. “O que está nos atrasando nessas providências é a falta de manutenção da estrada que serve aos moradores da Serra”, dispara. Na inauguração daquela gruta, já citada acima, muitos carros ficaram presos na lama e a festa não pôde acontecer como planejado. “A prefeitura, depois de meses de solicitação, chegou lá somente três dias antes da data da inauguração, não conseguiu resolver o problema e os veículos ficaram atolados na lama”.

OFERTA TURÍSTICA — O casal Nilson e Ana Laura destaca: “o interesse pela Serra da Paulista, seus recantos e suas ofertas turísticas, alcança muito mais do que apenas os sanjoanenses”.

Orgânicos
Nilson Zenun confessa que houve um tempo em que o casal trocou mesmo a cidade pela Serra da Paulista. “A solução é a internet via rádio que nós temos lá e que nos possibilita continuar trabalhando, como já fizemos várias vezes, como engenheiro e arquiteto”, ele relata. Um administrador e uma faxineira dão conta dos afazeres do dia a dia. “Mas as refeições, somos nós mesmos quem as fazemos!” Ao falar da horta orgânica, Nilson confirma que ela tem a certificação necessária: a certificação de produtos orgânicos é o procedimento pelo qual uma certificadora, devidamente credenciada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) e credenciada pelo Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro), assegura por escrito que determinado produto, processo ou serviço obedece às normas e práticas da produção orgânica. “Nós já fizemos quatro cursos pelo SENAR [Serviço Nacional de Aprendizagem Rural] horta orgânica, pomar orgânico, controle biológico de pragas e doenças e, por último, o curso de tomates orgânicos”, orgulha-se. Enquanto o asfaltamento da estrada que percorre a Serra da Paulista, finalizado em 2003, facilitou muito, diz Nilson, o local possui 18 km de extensão, curvas e não possui acostamento. Com as chuvas, o asfalto deu lugar a muitos buracos.
Ele confirma: o interesse pela Serra da Paulista, seus recantos e suas ofertas turísticas, alcança muito mais do que apenas os sanjoanenses. Uma região inteira espera que ela se torne mais receptiva, para inclui-la em seus roteiros de viagens. “A frequência aos bares e restaurantes, a presença nas caminhadas religiosas ou esportivas, confirmam isso”, finaliza.

Amoras e Cia
Onde se poderia pensar no plantio de amoras pretas e framboesas? Na Serra da Paulista, é claro! O engenheiro agrônomo José Antônio dos Santos Junior (foto abaixo), em parceria com Rubens Carrera, dono do sítio onde as frutas são cultivadas, informa que, além dessas frutas, também plantam hortaliças orgânicas.
“Eu trabalhava com vendas, na área de fitossanitários [proteção contra pragas e doenças na agricultura], quando surgiu a possibilidade de se desenvolver algum trabalho no sítio”, conta José Antônio. “Aquela região é muito boa para isso, nós estamos a 1.300m de altitude, o que definiu a escolha dessas culturas”.
O que também influenciou na escolha das frutas e hortaliças foi o tamanho da área disponível: relativamente pequena. O engenheiro agrônomo faz uma comparação — se a escolha fosse plantar feijão ou batatas, o espaço seria inviável, “mas para as frutas, é uma área considerável”, afirma.

PRODUTOS — As amoras e framboesas da serra já têm um público consumidor certo: residente na cidade e região, além de estabelecimentos comerciais que revendem as frutas, na região de Campinas e Ribeirão Preto.

Cestas orgânicas
O produto cultivado no sítio já tem um público consumidor certo, residente na cidade e região e está disponível em alguns estabelecimentos comerciais que revendem as frutas; mas um trabalho vem sendo realizado para ampliar o alcance das vendas, abrindo mercado nas regiões de Campinas e Ribeirão Preto. “Nós trabalhamos com a fruta in natura e congelada para facilitar o transporte e o comércio delas”, completa.
Outro ‘produto’ ao qual o público tem acesso são as cestas de hortaliças orgânicas. Um grupo de consumidores foi formado no aplicativo WhatsApp, para celulares e uma lista semanal é enviada a essa clientela. “Daí, cada um faz o seu pedido, relacionando o que deseja daquela lista”, indica José Antônio. Então, as entregas são feitas por ele mesmo ou funcionário do sítio, no dia seguinte ao pedido.
Se o agricultor pudesse apontar uma dificuldade nesse trabalho, seria a falta de literatura a respeito desse cultivo. “Não existe no Brasil livros ou trabalhos universitários sobre esse tipo de plantio, então nós vamos mesmo pela experimentação”. Mas a Serra da Paulista o entusiasma: “ah, aquele lugar é uma bênção; chegar ali todos os dias é um refresco para a cabeça”.
Apesar de se destacar entre as demais culturas da Serra, o local ainda não está aberto à visitação turística. “Nesse momento, essa não é a nossa intenção. Mas já pensamos nisso para um futuro próximo”, ele diz. A opção, neste momento, é fortalecer essas atividades, conseguir um produto de qualidade extra. “A nossa preocupação é a segurança do visitante e ainda não estamos prontos para isso”.
José Antônio não revela o montante da produção atual, mas confirma que esse negócio foi iniciado pensando em sua perenidade, “para durar muito tempo”. E revela que outra fruta já pensada para ser cultivada no sítio é o mirtilo, ou blue berry, visando o mesmo público das amoras e framboesas. Para quem não sabe, a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) introduziu o mirtilo no sul do Brasil em 1983, já que a fruta se adapta bem ao clima temperado, como há naquela altitude da Serra.

AMORAS & CIA — O engenheiro José Antônio dos Santos Junior está confiante nos investimentos que ele e o parceiro vêm fazendo na produção de amoras pretas e framboesas. Sua expectativa é de um exponencial aumento no cultivo, já que as condições de solo e clima da serra são as ideais.

Riscos
O engenheiro está confiante nos investimentos que ele e o parceiro vêm fazendo na produção. Sua expectativa é que o aumento no cultivo traga mais rapidamente o retorno do que vem sendo ali investido, já que as condições de solo e clima são as ideais e a dupla está muito motivada.
“Aqui nesta região, nós somos os únicos que plantam essas frutas”, informa. “A produção mais próxima daqui, que nós estamos sabendo, fica na cidade de Andradas, em Minas Gerais”. Uma pesquisa de mercado, feita antes de ‘arregaçar as mangas’ também ajudou a definir esse caminho: “Medo, a gente tem, não é; mas é também o medo que nos leva para frente” revela, ao falar dos riscos que um trabalho assim pode gerar.
Um desses riscos é a falta de manutenção das estradas rurais que chegam até o local. Em tempos de chuvas, é preciso ‘convocar’ o pessoal que está trabalhando no sítio para resgatar seus veículos da lama que se forma. “Esta semana, o pessoal da Prefeitura esteve por lá e passou a máquina. Em dois anos atuando lá, eu não me lembro de outro trabalho deles assim”, registra.
Assim como para muitos produtores ali instalados, a questão das quedas na energia elétrica na Serra da Paulista vem se constituindo um problema ‘regular’. “Como nós estamos num ‘fim de linha’, entre São João e Vargem Grande do Sul, não temos muitos vizinhos para reclamar ao fornecedor. Nós chegamos, certa vez, a ficar 40 horas sem energia no sítio… e dependemos dos freezers para as frutas congeladas. Tivemos uma quebra na qualidade do nosso produto”, finaliza.

“A Serra da Paulista tem um potencial turístico muito grande; ela precisa ser bem explorada e precisa que as estradas sejam mantidas em bom estado de conservação” — Fábio Pimentel

Bar e Restaurante Serra da Paulista
Marçal dos Santos Nogueira e a esposa Dani Varzone ‘tocam’ o Bar e Restaurante Serra da Paulista. O casal tem um sítio nas imediações há 15 anos, mas optou por alugar aquele espaço que estava ocioso, depois de um ‘namoro’ de longe, percebendo ali potencialidades turísticas. “Graças a Deus, vai indo muito bem, o pessoal que frequenta tem gostado muito do que a gente tem proposto: uma comida caseira muito bem feita, o som ambiente com MPB, música pop e rock”, ele vai contando. “Tem algumas receitas que fazem muito sucesso, como o joelho de porco, costelinha barbacue, costela no bafo, filé de tilápia à parmegiana, carne de cordeiro e comida de boteco às sextas-feiras”
Sua mulher Dani é a chefe da cozinha, ali ela é coadjuvada por ajudantes no momento de atender prontamente um pedido do cliente. Em algumas ocasiões são feitas parcerias com ‘chefs’ conhecidos. Exemplo é o Dia da Comida Árabe, que já está planejado para breve, e que trará também bailarinas da Dança do Ventre. “Eu quero promover a Noite Indiana, a Noite Italiana… quando será preciso buscar profissionais que já fazem esse tipo de evento”, explica Marçal.

Outro ‘achado’ são as festas temáticas que promove: a comemoração ao dia das bruxas (Halloween) vem atraindo gente jovem, o Fest-Rock, em dias paralelos à EAPIC, começou a ser realizado “para as pessoas terem outra sugestão musical, diferente da praticada naquela festa”, e o Serra Rock, um carnaval que mistura MPB e rock, como gosta o cliente do restaurante.
O sucesso na Serra fez com que Marçal abandonasse sua profissão — Técnico em Próteses Dentárias — para viver o seu sonho. Na verdade, para construir esse sonho, já que ele afirma ter começado “do zero”, tanto na composição do local, quanto descobrir-se como proprietário de bar. “Temos feito sucesso e atraído gente da região inteira, de Aguaí, Vargem Grande do Sul, Poços de Caldas, grupos de motociclistas, de colecionadores de carros antigos vindos de Jundiaí, Mogi Guaçu, Ribeirão Preto”.
Confiante no empreendimento que toca, Marçal diz que investe quase todo o seu lucro em melhorias no bar. A clientela tem percebido as novidades a cada vez que volta para aproveitar o sossego do local. “Isso aqui estava muito ‘cru’, era bem precário quando eu peguei, não tinha muito conforto para as pessoas”.

DIVERSÃO EM MEIO A NATUREZA — O casal Marçal dos Santos e Dani Varzone ‘tocam’ o Bar e Restaurante Serra da Paulista. “O nosso público é bem eclético, formado por jovens e, principalmente, por famílias”.

Público
O empresário registra que, apesar dos seus esforços, a Serra da Paulista está pedindo melhor assistência do poder público. “A precariedade de alguns trechos da estrada que nós temos aí é um problema sério, também sentimos falta de uma sinalização melhor para informar a minha clientela e os turistas em geral”, denuncia. 
Energia elétrica sempre disponível “é crucial”, ele aponta, considerando as constantes quedas no fornecimento que os empresários ali instalados vêm sofrendo. “O restaurante funcionava, antes, até um pouco mais tarde, perto das 23h. Mas tivemos que mudar isso, porque a energia elétrica acabava e demorava muito para voltar, obrigando a gente a pensar num outro investimento, que são luzes de emergência”.
Marçal lamenta essas dificuldades, porque considera a Serra da Paulista “muito bonita, um passeio muito agradável de fazer”, mas que não tem a divulgação que merece, sendo conhecida de verdade apenas por um pequeno grupo de frequentadores habituais, que eventualmente trazem seus amigos. “O bom é que eu tenho aqui internet via rádio, o que me ajuda na hora de divulgar junto às mídias sociais, o Facebook principalmente”.
E, como ele mesmo já disse, as pessoas têm respondido ao seu chamado: “o nosso público é bem eclético, formado por jovens e, principalmente, por famílias que vêm curtir um pé de fruta, um animal silvestre… esse pessoal traz seus animais domésticos para passear aqui sem problemas. É um público bem diversificado”, diz orgulhoso.
Para atender bem a clientela, e depois de um tempo contando somente com o casal, o Bar e Restaurante Serra da Paulista começou a contratar funcionários, em geral pessoas que residem nas imediações. “Com o crescimento da clientela, eu tive que buscar mão de obra em São João da Boa Vista; e foi assim que eu percebi a necessidade de um transporte público que percorresse esse caminho, para facilitar a vida do meu funcionário — e de quem gostaria de passear aqui — que não tem o seu próprio veículo”.
Buscando interação com seus vizinhos, Marçal afirma que para os domingos há um projeto de montar quiosques com produtos da Serra da Paulista, para serem oferecidos aos seus clientes, como um ponto de referência dessa produção: derivados de leite de búfala, legumes e vegetais orgânicos, uvas, hortaliças, azeitonas, ovos… “já que nós usamos isso tudo aqui no meu espaço”, finaliza.

Laticínio Artesanal Montezuma
“Eu vim para a Serra da Paulista no dia 9 de setembro de 1989” registra Fábio Pimentel, produtor responsável pelo Laticínio Artesanal Montezuma. Santista de nascimento, o empresário cursava Agronomia em Espírito Santo do Pinhal, quando um avô adquiriu a fazenda onde hoje está instalada sua empresa. A família sempre manteve uma residência em Águas da Prata, o que facilitou conhecer bem a região. Trabalhar com leite de búfala não foi a primeira atividade na fazenda. Inicialmente, essa propriedade explorava o gado leiteiro bovino: “na época, São João da Boa Vista tinha a Leco, empresa produtora de leite e derivados que captava todo o leite produzido na região, contava com uma cooperativa; a cidade era a maior bacia leiteira do Brasil e perdeu isso”, ele lamenta. Ao perceber que a atividade deixava de ser financeiramente interessante, algumas opções foram surgindo: vacas de cria, confinamento de gado de corte e produção de verduras. “Faz 21 anos que eu crio búfalas aqui”, informa. E aponta que o animal se adapta bem em muitos lugares — desde o deserto de Negev, em Israel, até as regiões mais geladas da Bulgária.

LATÍCINIO — O Montezuma, local de criação de búfalas leiteiras, mantém uma produção artesanal de derivados de leite de búfala. Os interessados podem também conhecer a fazenda, as búfalas e acompanhar todo o processo produtivo.

Empregos
Queijo frescal, ricota, mussarela, manteiga, doce de leite… são alguns dos produtos que o Montezuma oferece hoje ao seu cliente. “A atividade de bubalino cultura é financeiramente interessante”, Fábio afirma. Hoje, são produzidos 1.200 litros/dia no laticínio, mais 2 mil litros que são adquiridos de terceiros. Essa quantidade de ‘matéria prima’ resulta na produção de 25 itens. “Nós atendemos 37 cidades com os nossos produtos, também fornecemos para o Grupo Fasano [hotéis e gastronomia], diversas pizzarias em São Paulo uma loja da fábrica em Águas da Prata; em breve, teremos uma nova loja aqui na fazenda”. O fato de o laticínio estar localizado na Serra da Paulista atrai grande número de turistas. “A Serra da Paulista tem um potencial turístico muito grande; ela precisa ser bem explorada e precisa que as estradas sejam mantidas em bom estado de conservação”, aponta. Fábio lembra a quantidade de pequenos e médios empreendedores nela instalados, a maioria com produção voltada ao turismo, oferecendo seus produtos e criando empregos. 
Somente ali no laticínio, 29 empregos diretos são gerados, além dos muitos indiretos. “É o pessoal que presta serviços diversos, são caminhões chegando aqui a toda hora. Então, se a estrada não estiver bem conservada, isso será inviável”, destaca. Fábio se recorda de um grupo de turistas, em época de Carnaval, que chegou até lá enfrentando o problema das estradas e dizendo que nunca mais voltaria.

“Faz 21 anos que eu crio búfalas aqui”, registra Fábio Pimentel, produtor responsável pelo Laticínio Artesanal Montezuma.

Melhorias
A queda no fornecimento regular de energia elétrica é uma questão que transtorna o dia a dia na fazenda. São nove tanques de leite, quatro câmaras frias, uma câmara de congelamento, uma ordenhadeira para 14 animais e maquinário diverso utilizado na produção, que ficam parados, ele relaciona. “Nós temos um gerador aqui, que a toda hora é posto para funcionar”. “Nós tentamos, junto à Prefeitura, a obtenção de um terreno no distrito industrial, mas ainda não tivemos resposta; também conversei na Agência de Desenvolvimento há algum tempo”. Fábio revela que tem um projeto de ampliação do laticínio, para trabalhar com três mil litros/dia, com proposta para chegar a 10 mil litros/dia. “Mas, para um investimento desse tamanho, nós precisamos de alguma segurança, precisamos de acesso, pelo menos, para chegar aqui, tanto para trazer o leite, como para sair a mercadoria”, propõe. 
Fábio aponta essas questões porque confia na matéria prima com a qual trabalha e nos produtos que entrega: “o búfalo é um animal mais rústico, que não pega berne, carrapato, mosca do chifre, o que evita a pulverização com inseticida, requerendo apenas a aplicação das vacinas tradicionais”
Criadas no pasto, com parte de sua alimentação natural, as búfalas são ordenhadas na presença dos bezerros e isso, afirma Fábio, “produz um leite muito mais feliz! ”.