Fazer da arte um negócio

Por Bruna Mazarin

A pianista Vania Noronha e a artista plástica Fafá Noronha (foto acima) fizeram de sua arte um empreendimento em São João da Boa Vista. O Centro Livre Arte e Cultura (CLAC) foi inaugurado em 2001 e, de lá para cá, tem promovido a formação artística e a integração dos profissionais das mais diversas áreas culturais. “Na área de música oferecemos o estudo de praticamente todos os instrumentos. Inclusive, os cursos de música da Prefeitura são dados pelo CLAC, por meio de uma parceria que firmamos. Temos ainda os cursos de desenho, modelagem em argila e, mais recentemente, o curso de teatro para crianças e adolescentes. Recebemos todas as faixas etárias, desde bebês de seis meses, com a musicalização infantil, até os mais velhos, com aulas particulares ou em grupo”, explica Fafá.

Ela atribui o sucesso da escola às fortes influências que o município tem, como a pianista Guiomar Novaes e a família Assad. “Acredito que seja uma referência, principalmente na área musical. Tem a ver com o próprio perfil da cidade, que é muito voltado para essa área. Por conta disso, a escola se tornou também uma referência na região. Muitos músicos, artistas e professores passaram por aqui. Temos casos também de jovens que querem fazer alguma faculdade que requer habilidade com desenho, como arquitetura, que passaram por nós. Isso contribui para a disseminação do trabalho que desenvolvemos e do próprio nome da cidade”, acrescenta Fafá.

A artista plástica confessa que seria impossível desenvolver qualquer outro empreendimento ou trabalho que não estivesse ligado à educação artística e cultural. “Felizmente tenho essa afinidade muito grande com a Vania e conseguimos nos unir para trabalhar nessa área. Aliás, muitos acham que ela é minha irmã, principalmente por conta do sobrenome, mas, na verdade, é casada com um primo meu”, brinca Fafá.

A arte modifica
Para Vania, mesmo que os alunos não sigam profissionalmente nas áreas dos cursos, é possível perceber o poder transformador que a arte proporciona. “A música, a arte e o teatro interferem no modo de ver o mundo. Proporcionam um olhar mais sensível e ajudam em outros aspectos como coordenação, disciplina e socialização. São habilidades que atuarão durante a vida dessa pessoa de uma maneira muito positiva”.

Vania diz ouvir muito que o CLAC é um “lugar de energia positiva” e proporciona muitos outros benefícios para os participantes. “As pessoas dizem sentir melhorias na autoestima, no equilíbrio emocional, no raciocínio. Para nós, isso é motivo de muito orgulho. É esse o papel da arte”.

Outro trabalho importante que Vania destaca é com alunos que possuem alguma necessidade especial. “Temos alunos com deficiências mentais e motoras e, nesse caso, a arte funciona como um estímulo importantíssimo e como inclusão, também”.

Cooperativa
Como o CLAC oferece muitos cursos em diferentes áreas, Fafá explica não ser possível manter tantos funcionários. Por conta disso, criaram um sistema de “cooperativa”. “Cada um vem em um dia, porque também trabalham em outros lugares. Então todo mundo é dono, formando uma grande sociedade. Foi uma forma que a gente achou para viabilizar a escola”. Segundo Fafá, o objetivo não é ser uma “mega escola”, mas manter uma relação de proximidade entre o aluno, o professor e a cooperativa. “A essência do CLAC é, além de ensinar, acolher”.