O maior templo neocolonial do Brasil

Um dos detalhes mais impressionantes e de grande valor artístico é o forro, todo trabalhado em madeira, numa verdadeira renda quadriculada com entalhes delicados. Destaque para agrande Porta Caeli (do latim “Porta do Céu”) que se alça sobre todo o coro

Por Telma Salles — fotos Dú Paparazzi

Diversos levantamentos foram feitos para descobrir a identidade turística de São João da Boa Vista e, de tudo o que foi visto, optou-se pelo “Histórico e Cultural”. São dezenas de prédios históricos que contam a saga de uma cidade meio paulista e meio mineira, com um rico acervo de história e cultura espalhados por toda a cidade.
Destacamos aqui um dos atrativos mais procurados por visitantes: o Santuário de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, no bairro central, que leva o nome da sua padroeira. Um prédio no alto de uma colina, cercado de história e de encanto.
O comentário é que a construção se trata do maior templo neocolonial do Brasil. Um projeto feito para outra região do país, mas que acabou vindo parar em São João, onde os demais templos ostentavam um estilo diferente.
O templo, cuja pedra fundamental foi lançada em 1941, tinha o plano de abrigar na cidade uma Casa Missionária dos Padres Redentoristas. O plano deu certo e, desde então, padres redentoristas têm passado por muitos lugares do Brasil e do exterior, vindos da pequena e bela São João. 
Foram eles os construtores de várias obras de arte, inclusive do teto da nave central do Santuário, tido como uma das mais belas obras de marcenaria vistas na região.

AS OBRAS DE ARTE
O que diferencia a decoração interna do Santuário são as obras de arte, em destaque na nave central, onde normalmente fica a Via Sacra. As pinturas são obras do pintor italiano Gaetano Maomi. São telas clássicas aplicadas à parede, com moldura em gesso, nas dimensões de três metros de largura por 2,60 de altura, que foram inauguradas em 6 de agosto de 1950.
Além do vitral da capela das velas, o santuário é iluminado, durante o dia, por 38 grandes vitrais, que representam a Ladainha de Nossa Senhora e, por duas rosáceas; à noite, é iluminado, na nave central, por 12 grandes lampiões de oitenta centímetros de altura e, nas naves laterais, por muitos lampadários.

Um dos detalhes mais impressionantes e de grande valor artístico é o forro, todo trabalhado em madeira, numa verdadeira renda quadriculada com entalhes delicados, que representam alguns títulos de Nossa Senhora, como a grande “Porta do Céu” que se alça sobre todo o coro. Este teto é resultado do trabalho artesanal de três artistas alemães, também religiosos e redentoristas: irmãos José Uschold, Simão Corbiniano Veicht e Baltazar João Dess.
Merecem destaque também as enormes portas da entrada, das capelas e da sacristia, com entalhes artísticos de Marcenaria e o piso em mármore retalhado, além das 42 colunas encimadas de arcadas, todas revestidas de granito cinza, obra esta de Otaviano Papais.
O que mais impressiona os fiéis, os devotos e os turistas é o conjunto barroco do presbitério, com um enorme Calvário trabalhado em gesso colorido, obra de uma equipe de artistas belgas, sob a orientação do Padre José Wellington Lopes.
Abaixo do Calvário, dois anjos colossais com mais de quatro metros de envergadura de asas cada uma voam para a frente, carregando nas mãos o Quadro de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro.

A VISITA
O visitante pode solicitar a ajuda de um religioso ou alguém indicado por ele para conduzi-lo a uma visita recheada de histórias de muita beleza, fé e religiosidade.
O Santuário mantém uma pequena loja de souvenirs, entre eles um livreto que conta toda a história da saga do quadro milagroso que motivou a devoção de fiéis e curiosos vindos de todas as partes à procura da beleza das peças artísticas ali inseridas.
É uma visita inesquecível, que nada perde à visitação de grandes ícones do turismo religioso no Brasil e na Europa.