O Theatro e o Cine Bijou

Em 1911, foi aprovada a proposta, autorizando a Câmara Municipal a vender um terreno para a construção de uma cadeia, e, com o dinheiro da venda, comprar outro imóvel para instalar a “casa de espetáculos”.

Por Francisco Arten

Cinema era uma grande novidade mundial no início do século passado. José Osório de Oliveira Azevedo, no artigo “Cinema e teatro em São João”, diz que a primeira tentativa de dotar a cidade de “uma Companhia Cinematográfica” aconteceu no dia 15 de setembro de 1911, através do vereador Joaquim Lourenço de Oliveira Andrade.

O vereador ficou sabendo que, em São Paulo, havia uma companhia que tinha interesse em montar casas de diversões pelo interior do Estado. Ele propôs que a Câmara enviasse ofício a companhia, oferecendo favores para a construção de um prédio para esse fim, isentando-a de impostos por 10 anos e também de um auxílio. A proposta foi aprovada no dia seguinte.

Não surtindo efeito, o mesmo vereador, no ano seguinte, em 15 de abril, volta a insistir na ideia, oferecendo ainda mais vantagens para a instalação. Foi aprovada a proposta, autorizando a Câmara Municipal a vender terreno de sua propriedade, destinado à construção de uma cadeia, e, com o dinheiro da venda, comprar outro imóvel e nele instalar a “casa de espetáculos”.

O autor diz: “Daí por diante cresceu o entusiasmo pela construção do teatro”. No dia 1° de março de 1913, o jornal ‘Cidade de São João’ dá notícia da constituição da “Empresa Teatral Sanjoanense”.

Em reunião realizada no Centro Recreativo Sanjoanense, “foi constituída uma sociedade anônima, com a presença de 112 acionistas, representando 677 ações, para levantar um capital de 100 contos de réis necessários para dar início ao empreendimento”. O Coronel Joaquim Cândido de Oliveira é eleito presidente desta empresa.

A euforia foi tanta que a reunião só terminou depois das 9 horas da noite e foi abrilhantada com a presença da Internacional, banda de música regida pelo maestro Joaquim Azevedo, que compareceu ao evento gentilmente. Ainda não era o cinema que a cidade tanto desejava, mas desta iniciativa surgiu o Theatro Municipal.

A primeira grande empresa a se instalar em São João foi o Cine Bijou. Leôncio de Oliveira, que foi buscar sócios em São Paulo, era uma figura importante da cidade e acabara de receber a honra de ser integrante da Guarda Nacional Republicana.

Interessante que, em São Paulo, também havia um cinema com o mesmo nome, que pertencia ao grupo Serrador. Leôncio tinha sociedade com o grupo, o que lhe garantia a exibição de fitas dinamarquesas, francesas e alemães.

Anos depois é que surgiria a indústria norte-americana. Leôncio faleceu muito idoso, na década de 1970, em Casa Branca. O seu cinema ficava na entrada da Av. Dona Gertrudes, do lado direito de quem sobe.

Aos domingos, feriados e dias-santos, havia sessões corridas, das 10 da manhã às 10 da noite, com orquestras de poucos músicos, que se revezavam para tocar as mesmas e sovadas melodias da véspera…