Sabor perdido na memória

Acima, os rótulo da cerveja “Poker”, distribuída pela Companhia Cervejaria Paulista e da Cervejaria Antonio Rubo. Ao fundo, a casa de Daniel Rickhem, que resiste ao tempo. Lá era produzida a cerveja preta “gasosa”.

Por Ana Lucia Finazzi

No início da Idade Média, a fabricação de cerveja era ainda doméstica e ficava a cargo das mulheres, assim como o pão. Com o domínio da igreja, na época, os monges monopolizaram o mercado, diversificando os tipos de cerveja.
Mas a cerveja era também produzida em porões de prefeituras germânicas e, já em fins do período, começaram a surgir as primeiras cervejarias alemãs, com a cerveja alcançando uma produção em escala industrial.
No Brasil, a história da cerveja começa no início do século passado, com D. João VI trazendo na bagagem tonéis da bebida, que foi importada até 1888, quando surgiu a primeira fábrica brasileira: a Manufatura de Cerveja Brahma. Dois anos depois viria a Antártica. Hoje, estas empresas fundiram-se para formar a Ambev (Companhia de Bebidas das Américas).

Cervejaria em São João
Embora São João da Boa Vista possua hoje uma cervejaria — 
Saint Stelo Cervejaria Artesanal — ela não foi a primeira. Na década de 1890, um imigrante alemão, Emílio Weiss, montava em nossa cidade uma indústria de cerveja alemã. No começo do século XX, o também alemão Daniel Rickhem fabricava a cerveja preta, no prédio anexo à sua casa.
Além da cerveja, produzia “gasosa”, que envasilhava em garrafas inglesas. A casa ainda existe e fica à rua Saldanha Marinho, nº. 276, tendo sido construída em fins do século XIX, pelo empreiteiro construtor Nicolau Rehder para José Jahnel, serralheiro, formado na Alemanha. Posteriormente foi vendida para Benedito Kull, sogro de Daniel Rickhem.
Segundo consta, o médico Dr. Alípio Noronha recomendava a seus pacientes em convalescença que tomassem a cerveja preta do “Seo Daniel”, para recuperarem as energias perdidas.
Algum tempo depois, Antônio Rubbo montou uma cervejaria no local, onde hoje está a casa que dá lugar à nova agência do banco Itaú, e que servia São João e região.
Muitos anos depois, seu filho, Amadeu Rubbo, trazia para nossa cidade o chopp fornecido pela Companhia Paulista, de Ribeirão Preto. Foi o chopp que contribuiu para que o popular Bar Rubbo ficasse inesquecível para todos os que viveram esta época.