Um vilão vencível, e diversos superamigos

Por Angela Santos e Carlos Catelan

Estamos em outubro, mês marcado pela campanha de conscientização sobre o câncer de mama, alertando a sociedade a respeito da importância da prevenção e diagnóstico precoce da doença.

O projeto teve início em 1990, com a Primeira Corrida pela Cura que aconteceu em Nova York e desde então, chama atenção da população mundial, de Multinacionais e entidades. Na America Latina, especialmente no Brasil, a campanha ganhou força no início dos anos 2000, quando em outubro de 2002 foi colocada uma iluminação rosa no Obelisco do Ibirapuera.

Todos os anos, cerca de 58 mil pessoas são atingidas no Brasil. Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA), o câncer de mama corresponde há 25% do diagnóstico de tumores malíginos, onde em sua maioria atinge mulheres e só 1% se manifesta em homens.

UM RECOMEÇO FELIZ

Existem vários tipos do tumor e não há uma causa única. Os fatores de risco podem estar ligados ao estilo de vida das pessoas: como má alimentação, consumo de bebidas alcoolicas e cigarro, assim como mudanças hormonais e pré-disposição genética. Foi o caso de Ana Bela, que aos 59 anos descobriu que estava com a doença.

Ana percebeu que tinha algo errado quando sentiu um caroço no seio; logo lembrou-se de sua mãe que também teve câncer de mama e decidiu ir ao posto de saúde próximo de sua casa para fazer os primeiros exames. Na época a fila para realizar a mamografia no local estava imensa, então depois de procurar várias clínicas particulares, Ana optou pelo hospital da região onde mora para que lá tivesse o diagnóstico correto. Foi encaminhada para o Hospital Pérola Byngton, referência em saúde da mulher, onde conseguiu fazer todos os exames, constatando o tumor.

Depois da confirmação, Bela fez a cirurgia para a retirada das glândulas cancerígenas e passou por mais sete meses de tratamento, incluindo sessões de quimeoterapia e radioterapia. Foram mais cinco anos de acompanhamento intenso e exames na mama, até que teve alta e atualmente vive sem sinais de qualquer possivel retorno da doença.

Hoje, aos 79 anos Ana Bela vive bem e não tem medo de passar pelo susto novamente. “A gente não pode desanimar, não tenho que pensar que só porque estou com câncer vou morrer, precisamos seguir em frente”, contou.

Ilma;

Para a numerologia Ilma carrega o número 1 no quesito alma, que explica o eu interior, o verdadeiro, alinhado ao primeiro dos números Ilma é aquela que vem para aconselhar e ensinar as pessoas. Mesmo não acreditando em numerologia, é impossível afirmar que a tia Ilma não tivesse este estigma de professora. Lora, como era conhecida, era a gêmea mais nova de outros 4 irmãos, com o Pai, aprendeu o benefício da leitura e do estudo, mas avançou um pouco mais no quesito fé. Eu tinha pouco mais de sete anos quando minha avó me falara de sua irmã, de como ela acabou “contraindo uma doença” que abaixava sua imunidade e fazia com que ela ficasse muito doente, várias vezes no ano, na quela altura nem minha avó, tão pouco eu, sabia explicar o HIV.
Tia Lora havia contraído o vírus após ser traída pelo marido, no auge da doença, quando era apenas um estigma homossexual, seu marido tinha a infortuna de sair com outras mulheres, após ser contraído, acabou por condená-la em conjunto. Mas eu nunca cheguei a conhecê-lo, os homens de minha família tendem a ser peças que não fazem falta, só quando chega o dia dos avós que você para pensar, “Ué, eu tenho avô?”, “Porque nenhuma de minhas tias-avós tem marido?”
Da parte que eu sei, minha avó fugiu do Sul do país com mais cinco filhos a tira colo, e as irmãs Lora e Preta pelos braços, moravam todas no mesmo quintal e se ajudavam conforme precisavam, os maridos eram apenas acessórios opcionais, afinal, elas tinham uma as outras. Minha mãe uma vez me disse, que apesar da doença nada havia abalado na confiança de Loura. Ela tinha as irmãs.
Quando eu já tinha por volta dos quinze uma onda de tristeza havia quebrado sobre a família, Tia Lora, após anos de luta diária com o HIV, havia descoberto um câncer, mas, apesar do medo e daquela sensação de “elefante na sala”, ela estava normal. Lembro de ver minha tia, filha de Lora, chorar escondida em um natal, enquanto cortava as coisas da ceia. Mas ela estava bem, parecia confiante. Naquele momento ela foi o porto de todos.
No dia em que ela decidiu raspar os cabelos para evitar a imagem adoentada durante a quimioterapia, ela não avisou ninguém. Estávamos todos no quintal de minha avó, quando ela chegou sorridente com um lenço floral na cabeça, a partir daquele momento tudo mudou, parecia que todos haviam virado a chave, que todos estariam ali por ela, faziam piada de que os cabelos nasceriam como de bebe, sem química nenhuma.
Todo natal e ano novo e dia das mães a partir dali, ninguém estava separado, mas todos agiam naturalmente, bebiam, e se divertiam sempre alegres. A imagem que tenho da tia Ilma sempre foi justamente esta, do sorriso, da risada esganiçada e da mulher baixinha e magra que fazia questão de estar ali para todos.
Tia Lora faleceu em 2015, não vítima do câncer, fazia se anos que doença não dava sinal, fechou os olhos vítima de uma simples pneumonia, os remédios não faziam mais efeito, e enquanto todos estavam atormentados pelo medo, ela, mesmo sem já ouvir era capaz de apertar sua mão como ninguém mais seria, como quem diz, “Ok.”
Quando fomos juntar suas coisas, enquanto eu colocava seus livros em uma caixa, encontrei um livro que falava sobre a morte, o que me fez pensar que talvez Tia Lora estivesse sendo forte pelos outros, porque ela não precisasse ser mais forte por ela mesma.
Lora, Ilma; Foi uma incrível professora, não dessas que lhe aparece todo dia na semana, que lhe explica fórmulas para enxergar a vida, mas foi igualmente atenciosa, nos ensinou que o Câncer não precisava ser um fim, não era uma situação confortável, mas também não precisava de conformismo, mesmo depois de tudo ela não pausou sua vida, apenas adequou suas vistas ao médico em sua agenda, fazia piada quando a mandavam parar de fumar, arrastava minha avó para aula de zumba e pensava na reforma da casa. Ilma nos ensinou a ter paz, mesmo quando o caos reina, que a palavra apoio é uma via de duas mãos, porque a palavra medo também é.
Att,
Carlos Catelan

APOIO EMOCIONAL E AUTOESTIMA

O apoio da família e dos amigos é muito importante para a melhora da paciente. É um momento de fragilidade que envolve medo e, na grande maioria das vezes, compromete a autoestima.

Em alguns hospitais que oferecem tratamento para esse tipo de câncer são feitas ações voltadas para a melhora da aparência das pacientes e isso influência diretamente no resultado do tratamento. Para a Médica mastologista Fabiana Baroni, o câncer e, principalmente, a retirada da mama representa a perda do órgão relacionado a feminilidade da mulher e por isso deve ser trabalhado o empoderamento e vaidade da pessoa.

Além disso, é essencial que a paciente saiba que não é a única que está passando pelo problema.“É importante que as mulheres entrem e contato com outras mulheres que já tenham passado por situações semelhantes e tenham superado as dificuldades. Isso ajuda na superação”, explicou Fabiana.

Especialistas aconselham que todas as mulheres devem fazer o exame de mamografia a partir dos 40 anos, idade em que o tumor se manifesta com mais facilidade. O procedimento é oferecido pelo SUS e todas têm direito ao acesso. É preciso que tenhamos consciência de que qualquer uma de nós está sujeita a desenvolver a doença, mas quanto mais rápido for o diagnóstico, maior será a chance de cura.


AUTOEXAME

Segundo o IBCC (Instituto Brasileiro de Controle ao Câncer):

No chuveiro ou Deitada;

1- Coloque a mão direita atrás da cabeça. Deslize os dedos indicador, médio e anelar da mão esquerda suavemente em movimentos circulares por toda mama direita. Repita o movimento utilizando a mão direta para examinar a mama esquerda.

Diante do Espelho;

2- Inspecione suas mamas com os braços abaixados ao longo do corpo.
3- Levante os braços, colocando as mãos na cabeça. Observe se ocorre alguma mudança no contorno das mamas ou no bico.
4- Repita a observação, colocando as mãos na cintura e apertando-a.Observe se há qualquer alteração.
5- Finalmente, esprema o mamilo delicadamente e observe se sai qualquer secreção. A observação de alterações cutâneas ou no bico do seio, de nódulos ou espessamentos, e de secreções mamárias, não significa necessariamente a existência de câncer.

O que levar em conta?

  • Caroços (nódulos).
  • Abaulamentos ou retrações da pele e do complexo aréolo-mamilar (bico do seio).
  • Secreções mamilares existentes.

Orientações

• O autoexame permite perceber alterações nas mamas. Frente a qualquer sinal de alarme, procure um mastologista (médico especialista em mamas).
 • O autoexame deve ser realizado uma vez a cada mês, na semana seguinte ao término da menstruação. As mulheres que não menstruam devem determinar um dia específico para repetir o autoexame todo o mês.
• O autoexame não é um método diagnóstico e não substitui a visita ao mastologista. A mamografia é o único método de detecção precoce. Portanto peça sempre orientações a um médico especialista.
 • O autoexame das mamas não substitui a consulta de rotina que deve ser feita ao mastologista.

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