DIPLOMAS VALEM MAIS QUE O AMOR

Medicina, religiosidade e veganismo

“Meu médico me mandou comer carne branca” foi a frase mais triste que ouvi nesses últimos dias, posterior a sentença “comi peixe essa semana”. Em outras palavras, eu leio o mundo assim: “meu médico me mandou matar e autorizei o assassinato de um peixe por sufocamento, tendo decepado o seu corpo ainda vivo para servir em meu prato no almoço”.

Que loucura não é? Mais louco, que eu serei o louco acusado por essa sociedade enferma. Paradoxo: hoje mesmo me veio a oração — a falta de amor adoece. Estamos todos doentes. Porque fomos criados assim; devemos ser assim até o fim da vida?

O dicionário define: médico, o que acompanha um doente no decurso de uma enfermidade. Temos uma lógica inversa de pensar a medicina, queremos que ela proteja nossa saúde, mas ela cuida é da doença (não nos contam como não ficar doentes). Imaginamos que o médico é aquele que vai propor melhorias, mas como?! Se ele aceita tudo o que veio de sua formação especista e financiada por interesses sombrios? Aos que aceitam tudo sem reflexão, é dada a mediocridade de suas próprias limitações, limitada pelo egoísmo e arrogância de uma espécie que se julga superior e com Direitos sobre outrem que se quer se associa a sua raça.

O ser humano é prepotente, regado em uma fé rasa e distorcida que não enxerga além de si mesmo. De que vale os joelhos no chão, o Cristo no altar, os Santos, Pastores e Padres que pregam a boa palavra mas agem em contradição? De que vale o fiel obediente que conhece vários ritos e uma diversidade de histórias bíblicas mas ignora todo bom exemplo que Jesus ensinou?

Distorcem, retorcem, adaptam para os seus próprios prazeres, luxos, confortos, comodidades. Fazem de tudo, adornam, enfeitam e dispõem em publicidade. Tudo é maquiagem nesse delírio, mas, por debaixo desse pó a verdade se esconde tímida, retraída, com vergonha de existir em meio a tanta perversidade, afinal quando ela se expõe, tentam sufocá-la como o peixe, a marginalizam e gritam aos quatro cantos: Radical! Radical! Radical! Uma mentira dita mil vezes na ignorância se torna verdade, na luz, continua sendo uma mentira.

Diplomas são pedaços de papel, o amor, o amor não está à venda. Jesus Cristo é vendido nas religiões e eu não preciso delas para compreender sua palavra. A tradição é especialista em se assenhorear das novas demandas, vesti-las de passado e fingir que é presente. O capitalismo é mestre em se apropriar das novas tendências, furta-las a alma e vendê-las com as embalagens da mesma ganância antiga regada na cobiça e na escuridão que só enxerga o próprio umbigo. Por debaixo dos rótulos o dinheiro seduz as consciências frágeis que hora ou outra retornam a sua matriz de ilusão. Compreensível; afinal, a correnteza é mais forte para quem deixa o seu barco a deriva, navegando nesse mar nebuloso e hipócrita.

Diante do exposto, por outras correntes eu tento me calar, deixar o silêncio e o tempo fazerem sua obra, mas quem disse que não sou uma obra do tempo? Angustiado com o mundo, entristecido com a humanidade, mas não abatido! Abatido, torturado, escravizado eu já teria sido se eu fosse: gado, porco, galinha, peixe ou qualquer outro animal na mira dessa sociedade que consome a alma dos inocentes pela paixão dos dentes, o vício do paladar e a insensatez do estômago.

Nessa toada, o que esperar de pais que reproduzem suas mazelas e ensinam suas crianças a subjugar, inverter a lógica e minimizar o amor? O que se espera dessa nossa humanidade não pode ser diferente do papel que esse mesmo médico exerce sob a autoridade comprada de toda a nossa estúpida sociedade. O diagnóstico para toda essa verborragia-especista que se espalha é simples: continuaremos assim enquanto não houver amor suficiente para irrigar a nossa consciência, embora dito isso, a realidade é que muita gente vai continuar preferindo tomar remédio que essas palavras.

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