DO AMOR E SUAS REVOLUÇÕES

Afinal, como medir o amor? Como calcular o imensurável? Como escolher entre o certo e o certo? O que é certo? O que é errado? Somos seres construídos pela cultura que nos circunda e o que acontece quando mudamos nossa cultura é uma alteração dos padrões da nossa individualidade, consequentemente do modo como interpretamos a sociedade e a própria cultura que nos edificou até então.

Quisera eu, ser como Jesus Cristo, que soube ver o pecado, olhá-lo de frente, compreendê-lo e ainda assim escolheu instruir aos Homens, sem pressioná-los, sem ofendê-los; sem impor suas virtudes, caminhou em sua missão com retidão, com o mais alto amor e o mais puro exemplo de paz.

Quisera eu, ser como Mahatma Gandhi, que reivindicou a liberdade sem atacar a ninguém, sem fazer nenhuma guerra, que soube lutar totalmente em paz revolucionando a compreensão humana, atingindo o amor profundo sem causar nenhuma agressão.

Quisera eu, ser como a Doutrina Espírita, tão elevada e caridosa, humilde e benevolente, esclarecedora do bem moral, uma ciência-filosofia educadora e edificante, que trabalha o progresso do Homem sem julgá-lo, que o acolhe com indulgencia e o transforma com carinho e amor, potencializando o bem por meio da correção dos erros e do mal, atingindo a paz com sabedoria e consciência.

Quisera eu, organizar todos esses exemplos para a minha conduta no veganismo. Mas ainda em construção reflito minhas ignorâncias e percebo complicado, que quando a gente muda, passamos a querer que os outros também mudem, quando encontramos um caminho mais límpido, queremos que os outros também vejam, quando percebemos a loucura, queremos que os outros também notem para não adoecer. Tentamos salvar o mundo, as vezes a ferro e fogo e isso machuca, tão logo, devemos repensar com uma sapiência maior, paciência e compreensão.

Quem somos nós, se não descobridores de apenas uma maravilha e ainda ignorantes para tantas outras? Percebo em conflito que não devo tentar impor; necessito desembrutecer minha impetuosidade, não preciso ser extremista, não devo julgar. Mas, os pontos de vista se embaralham e observo que no amor e pela paz eles foram radicais contra a ignorância, o ódio e a cólera: Jesus e Mahatma nos ensinaram sobre uma radicalidade que cura sem lançar outras doenças. Evoluídos, souberam permear no caos sem estender qualquer obscuridade.

Hoje, em meio a tanta dor e sangue, questiono sobre o que consideram normal sob a proteção da legalidade. Sei que todos nós temos a mania estúpida de querer sobressair; mas eu não quero sobressair, eu não preciso estar com a razão, nem quero obrigar alguém a pensar como eu, não! Eu não quero nada disso, apenas tento achar o caminho de levar até o próximo o caminho que encontrei. Eu não sou Cristo, não sou Gandhi, sou um espírita em formação, não tenho tanta luz ao ponto de não ter escuridão, sou um pequeno aprendiz domando a minha rebeldia e tentando acertar como os modelos que me inspiram em paz, amor e evolução.

Tentando não ferir ninguém, busco encontrar um espaço no seu coração para refletir sobre o hábito dos nossos costumes inocentes, porém devastadores a respeito das nossas escolhas de consumo e instrução alimentar. Se você quer uma chave, abra as portas da sua consciência e pergunte a si mesmo: até quando eu vou escravizar? Até quando eu vou explorar? Até quando eu vou matar, com as minhas mãos ou com o meu dinheiro um outro ser que tem tanto direito de viver como eu? Até quando eu vou fingir que não vejo, que não escuto, que não leio? Até quando eu vou me agarrar a tradição que acoberta tudo isso? Até quando vou fingir que não é minha responsabilidade, me fazendo de ingênuo sem notar que a minha decisão liberta, ama e apazigua ou agride, terroriza e faz sofrer? Até quando?

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