DROGAS SUBCONSCIENTES

Pensando em nossas relações objetivas e abstratas, proponho uma reflexão sobre as drogas palpáveis ou não, lícitas ou não. O que a sociedade considera como droga? Qual o impacto da droga em um individuo? Qual o ponto entre o vício e a dependência, a medicação ou o entorpecente? Dizem que a diferença entre o veneno e o antídoto está na dose. Ora, sem qualquer veneno não é necessário nenhuma dose de antídoto. Assim, considero que é mais inteligente se abster do que pode fazer mal, se afastar do veneno; você pode até ser intoxicado, geralmente somos, mas ninguém é forçado a continuar envolto em escolhas não saudáveis.

Enquanto conceituo sobre isso, a maior parte de nós, viciosamente escolhe pelo prazer egoísta, pela solução fácil e acessível à mascarar os problemas com exaltações passageiras e repetitivas que escondem o fundo das vicissitudes. É aparentemente mais descomplicado não encarar o que nos leva a repetir e repetir um hábito nocivo, pois, confrontar nossas causas exige autodisciplina e a sabedoria equilibrada do exercício de liberdade. Nem todos estão prontos para ser livres, erroneamente pensam no plural mas se sabotam singularmente porque seu plural é falso, uma fictícia defesa para encobrir os defeitos individuais.

Em um mundo materialista estamos lutando contra os vícios materiais; em um universo espiritual, lutamos contra os vícios morais. É dependente aquele que não tem controle, é viciado aquele adultera a realidade e acoberta sua fraqueza, defendendo seus maus hábitos com a arrogância, a indiferença ou mesmo criando vanglorias de sua estupidez disfarçada, transformada falsamente em um valioso status admirado, ou em um fato corriqueiro e aceitável, que é compartilhado com outros iguais que estão no mesmo poço de anestesia e fuga da realidade.

Quando muitos estão perdidos, eles se abraçam na escuridão e permanecem defendendo aquilo em que estão imersos, em troca de um prazer peremptório ou tão só da manutenção de suas raízes infectadas de ignorância e de paralisia amorosa e compreensiva. Na descoberta desses tramites mentais, quando alguns encontram o caminho de saída da ilusão os demais tentam insultá-los, as vezes não os provocam por má fé, mas por medo de descobrir em seu íntimo que o conforto de uma ação repetida está prestes a ruir com a verdade emergencial da consciência.

A maioria tem medo de confrontar o seu próprio íntimo, o seu singular pensamento e a força de sua centelha divina. É preferível fugir e se anestesiar em bebidas, cigarros e outras substâncias que provocam alterações no estado de consciência, ao invés de vivenciar os estreitos emocionais, filosóficos e transcendentes. É fácil guardar em segredo um vício consumista de pornografia, de virtualidade e de outras dependências ocultas que se trancam no subconsciente, ao invés de desafiar o autocontrole, o aprimoramento emocional e interpessoal. Em ambos os casos, as duas motivações geram doenças, algumas notáveis, outras particularmente perturbadoras; para romper esse ciclo, a cura exige o tratamento certo, o paliativo apenas remedia os sintomas, os sintomas não são a causa.

Saiba que é mais saudável aquele que aprende a aprender sem a necessidade de provar das maquinações obscenas e distorcidas que vendem prazer, excitação e alívio imediato. O mundo não é essa vulgaridade instantânea que vendem, fuja dessa trama. Estão deturpando os valores: o bom é mal e o mau é bom. Atrás dessa lógica propositalmente louca, o que é legal e ofertado destrói o individuo gerando uma dependência invisível. O que é virtuoso é sem graça, sem benefício e tolo. O nefasto marketing que sonega suas fontes dominadoras adora prender as pessoas em suas entranhas inescrupulosas. É fácil controlar uma maioria que não pensa. Isso é tão acentuado, que os ignorantes seguem defendendo o consumo de seus prazeres materiais e secretos, acusando os que provocam seu raciocínio de profanação da ordem social, o bando se defende e ataca ao invés de progredir. Voltam-se aos instintos animais, arrotam progresso e socialização, mas ingerem toda a doença fabricada para a manutenção dominadora da praga camuflável da falta de Educação.

Observe tudo isso, pense, medite sobre os seus hábitos, quando eles são bons, cabe o seu mérito de qualidade, quando eles são prejudicialmente obsessivos, não remedie a solução, não repita os seus erros. Encare suas fraquezas e a sua estupidez, a sua inteligência e a sua compreensão; seja honesto e anseie pela natureza da sua evolução, reconheça seus defeitos e trate de corrigir as causas, de tal maneira você encontrará um caminho para transformar seus vícios em virtudes.

Aprenda que não é preciso fazer de si mesmo um almanaque de problemas, é mais sábio aprimorar virtudes, no lugar de um depressivo abuso de práticas retrógradas, imorais e vãs; perceba que a sabedoria reconhece o caos mas não mergulha em seus defeitos, o enxerga com disciplina e calma, pois o conhecimento é sereno, indulgente e revelador. Conecte-se a si mesmo e desafie sua própria insipiência. Acrisole-se.