E A DOMESTICAÇÃO?

A Libertação Animal para quais animais?

O veganismo pauta a libertação animal, mas em uma realidade onde a maioria dos veganos foram criados como especistas do ventre à vida adulta, paradoxos os rondam sob pretextos diversos mas que muitas vezes se desviam da filosofia, do raciocínio e da própria lógica que os fizeram enxergar o especismo, ainda obscuro em alguns campos de suas visões.

Filosofias de diversas ordens tem livros e livros, autores e autores que ampliam suas teorias e pontos de vista. O conhecimento do veganismo como teoria é uma simples página difundida no Wikipedia, uma pontual videoteca de documentários e uma literatura com poucos livros que avançam suas bases filosóficas, motivo pelo qual cada um caminha com suas opiniões e reflexões éticas e morais.

Como leitor da obra completa da codificação do Espiritismo de Allan Kardec, sinto falta de uma obra completa e profunda sobre o Veganismo. Enquanto ela não vem rascunho meus raciocínios.

Sobre a interrogação no título, exponho: eu sou vegano e até onde sei essa não é uma posição do veganismo em si, mas considero uma reflexão que não se pode deixar de fazer: ao meu ver, a longo prazo a libertação animal deve vislumbrar o fim da domesticação.

Por uma via: porque nem todas as pessoas têm maturidade ou ambientes saudáveis para esses animais, que em muitos casos vivem solitários apenas com a presença humana escassa e aproveitadora, oferecendo lugares estressantes como apartamentos e situações precárias que passam também pelo isolamento, confinamento ou uma vida inteira amarrada em correntes e afins, dentre variadas outras situações que podem gerar transtornos, depressão, maus tratos e demais quadros negativos.

Por outra via: pelo simples fato no conceito de liberdade, que se dicionariza por um nível de independência absoluto. Entendo que não cabe a nós seres humanos determinar o melhor ou o mais agradável bem-estar para a vida de uma outra espécie, o conceito de felicidade que se aplica ao animal Homem, pertence a ele próprio e não deve ser estendido a outros animais, esses animais por sua própria natureza têm a sabedoria que lhes cabe para viverem felizes com os seus propósitos de vida, para estabelecerem suas sociedades, convívios, ambientes e etc.

Eu digo a longo prazo por considerar que uma infinidade desses animais domésticos vivem conosco há várias gerações e desde os mais longínquos tempos, de maneira que suas populações se tornaram reféns desse espaço urbano atual, onde ainda por um período do futuro tais animais serão reproduzidos nesse cenário que distanciou-se de seu habitat natural ou agradável como em uma convivência amigável, espontânea e independente.

Para concluir esse tema, não pretendo provocar uma guerra de opiniões e egos, apenas pondero que a postura individual de cada cidadão determina os acontecimentos da sociedade, pois quando esses indivíduos formam a multidão os impactos no mundo se revelam e refletem na vida de toda a civilização.

Pensando no fim progressivo da domesticação, tal como na libertação de animais utilizados para exploração e consumo, enxergo que decisões políticas acelerariam os acontecimentos e promoveriam uma transição sensata para transformar a realidade de toda a história especista, mas contextualmente não tenho essa esperança agora, o que deságua e pede pelo maior e mais puro poder: aquele que se encontra na decisão e postura que cada um de nós pratica.

Elucido ainda que a cada embate, enquanto não temos uma obra guia ou um conceito firmado na consideração plural, cabe a cada um de nós a incessante reflexão e o exercício contínuo de questionamento. Lembre-se: é preciso viver e deixar viver, é preciso libertar, inclusive de você.

Leia mais textos meus na página inicial.

MANUAL VEGANO