Eleições 2018

Do socialismo ao liberalismo

Tiago Henrique
Sep 26, 2018 · 6 min read

Já votei no PSDB, PT, PV, PMDB, PSOL, REDE, PCB, PSB, PDT… eu sempre considerei o candidato, não o partido. Após a convulsão política que vivemos nos últimos anos não pude deixar de avaliar os partidos e eu havia decidido que anularia todos os meus votos nesse ano.

Após os dois primeiros debates presidenciais e um ao Governo de Minas, profundamente decepcionado e amargurado, comecei a procurar alternativas que combatessem esse sistema corrupto e seus aproveitadores, que hipocritamente pregam a solução mas nada fizeram para corrigir o problema, muito pelo contrário: o ampliaram e o perpetuaram.

Cansado de mais do mesmo, pesquisando encontrei minha última esperança nesse cenário, o partido NOVO, sua postura, exemplo e educação política; desde então ideologicamente mudei a minha visão política do Socialismo para o Liberalismo. Eu sonhava com um Estado grande, justo e com capacidade de promover a igualdade, onde as diferenças sociais fossem reduzidas drasticamente e não houvesse mais disparidade entre as classes sociais, até então eu apreciava o comunismo em sua filosofia, mas como podemos vislumbrar: o proletariado ao tomar o poder, torna-se o novo opressor e os problemas continuam irreparáveis.

Meu sonho ainda é o mesmo, mas não vejo mais como antes, o socialismo brasileiro não foi capaz de implementá-lo, fez do Estado um organismo inchado e de severa corrupção, criando uma vasta multidão dependente do Governo, o que caminha em direção inversa aos meus preceitos de liberdade e igualdade.

Eu sei que na teoria tudo é muito bonito e apreciável, por isso passo a me orientar pelo exemplo e a prática. Com esse texto eu não tenho a intenção de mudar a visão de ninguém, aliás eu nunca tenho, apenas pretendo instigar a pesquisa e o conhecimento, cada qual deve fazer o seu exercício de consciência e atualidade.

Eu mesmo considero que muitas das ideologias que hoje não qualifico como as melhores tiveram seu papel de fundamental importância no passado, se eu vivesse cem anos atrás certamente minha posição seria outra. Mas a realidade hoje é diferente e a mudança é necessária para se atingir os resultados que mais beneficiem a multidão. Não podemos esperar das proposições passadas a solução para os nossos problemas atuais.

Um problema fulcral que temos em nossa pátria é o fato de existir planos partidários e não de nação, isso torna o Brasil um país atrasado, desorganizado e improdutivo. Por briga de facções de poder o povo sempre sangra e paga com a própria vida: miserável, dependente e estagnada. Fizeram de nós torcedores políticos, separaram e distanciaram ao invés de unir e aproximar, devo lembrar que o objetivo comum de todo cidadão de bem é a melhoria em todas as áreas que nos toca a vida particular e social, não sei por que brigamos tanto, todos querem o melhor, não podemos deixar que o egoísmo supere o altruísmo e destrua nosso ambiente.

Para simbolizar toda essa problemática recorro a nossa história recente e aos pontos de vista que enxergo. Por exemplo: eu não tenho receio em dizer que votei no Lula nos seus dois mandatos e que apesar de tudo o que reprovamos por sorte ou competência, na minha opinião ele foi o melhor presidente que pude acompanhar até o momento em meus 32 anos. Para mim, um governo bom é aquele que atinge o cidadão, e como eu, milhões de brasileiros transformaram suas vidas por causa das políticas implementadas durante o seu Governo. Para não estender a discussão se você quer saber: eu não votaria no Lula novamente, pelos diversos motivos que podemos analisar nos dias de hoje e pelas consequências de sua herança partidária.

Para ilustrar o que penso desse quadro de perpetuação no poder, cito Eça de Queirós: políticos e fraldas devem ser trocados de tempos em tempos pelo mesmo motivo.

Pela minha idade você pode achar estranho mas também me recordo um pouco de Fernando Collor, o seu mandato durou dos meus 04 aos 06 anos e estudando sobre ele acho importante sua política ter proporcionado a abertura da economia nacional para o mundo. Então veio Itamar Franco que lançou o plano real e conseguiu estabilizar a economia acabando com a crise hiperinflacionária. Depois temos Fernando Henrique e tudo que me lembro de memória são sobre suas diversas privatizações e os apagões de energia elétrica, embora essas citações tenham marcas pejorativas, hoje faço uma leitura crítica diferente e considero que as privatizações não são uma estratégia ruim, pode ter sido ruim o modo como elas foram feitas, mas a proposta em si é boa, pois em um país em que não se tem ética e moral suficientes para zelar pelo patrimônio e pelas empresas públicas, essas estatais acabam servindo como meios de corrupção e más intenções políticas, trazendo prejuízo aos cofres públicos e mais problemas que soluções. Após o Governo Lula, chegamos aos desastrosos mandatos de Dilma Rousseff, eu sinceramente não encontrei nada de positivo para destacar em seu Governo que desaguou no mandado de Michel Temer, que trouxe pautas importantes para o debate brasileiro e reformas cruciais, embora o seu governo não tenha credibilidade moral e não saiba se comunicar com a população, a sua proposta reformista é necessária e precisa ser feita com transparência, diálogo e assertividade.

Com tudo isso, aprendemos que nós precisamos ampliar a compreensão sobre a máquina pública e sobre política, por um lado se Dilma não nos trouxe nada de positivo, por outro, as mazelas que ocorreram nesse período nos despertou a atenção para os demais postos eletivos, começamos a reparar sobre a importância de deputados e senadores (para o sistema vigente) e como essa corja surrupia o Brasil; de maneira que se não tivermos políticos decentes em todos os cargos nós podemos ter Deus como presidente que o Governo será um inferno.

Como sabemos todos os mandatários da república tiveram vários pontos negativos em suas gestões, uns mais que outros, mas de alguma forma todos trouxeram alguma oportunidade de progresso. É claro que não podemos nos conformar com ínfimos avanços diante a capacidade brasileira, é óbvio que ainda não experimentamos uma revolução e que os últimos 30 anos poderiam ter sido muito mais evoluídos que experimentamos, mas estamos aprendendo e não devemos descartar as coisas boas que resistiram aos péssimos políticos. Não devemos ser imaturos ao ponto de desviar o olhar para o que foi bem sucedido. Enquanto nos enfrentarmos como torcedores o país sempre sairá perdendo.

Com esse texto tento propor a reflexão, desejoso de que cada um de nós possa estudar mais, pesquisar mais e estar com a mente aberta para questionar não só o mundo, mas a nós mesmos sem ter medo de rever nossos conceitos e mudar de opinião quando nos parecer prudente. Não podemos ser reféns de uma posição adotada em determinado instante, devemos sempre buscar o aprimoramento de nossas ideias para que elas continuem progredindo ao invés de estagnar. Cabe a nós a humildade e a transparência com a gente mesmo e com nossos valores, precisamos encontrar respostas e maneiras diferentes de solucionar o que até hoje não foi corrigido pelas alternativas correntes, não podemos ser insanos, não podemos ter medo de mudar mas sobretudo é preciso prevalecer o respeito e a compreensão. Diante todo o exposto instigo mais uma reflexão e concluo com Albert Einstein: insanidade é continuar fazendo sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes.

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Tiago Henrique

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Escritor e Compositor desde 1998. Graduado em Letras pela PUC Minas. www.thvirtual.com