Na companhia de um Deus que limpa casacos

O conhecimento da pessoa dele não acaba nunca. Ele é como uma fonte inesgotável, uma caixa de segredos. Um pergaminho sem fim.
Uma vez pensei saber dele alguma coisa, mas era engano meu.
Ele é grande demais e inatingível para minha mente finita.
Complexo para minha obviedade.
Mas, um verdadeiro paradoxo.
Por que ele de fato é, infinitamente simples.

Minha vida mente quando se afoga no mar de dúvidas e meu coração padece quando encontro medo.
Tudo isso não cabe nele porque ele é o amor em sua fórmula completa, e coisas temerosas não compactuam num ambiente amável.
Acho que preciso comer a palavra que ele diz e me embriagar no que ele é.
Só assim encontrarei descanso para a loucura de fazer tudo sozinha.

Ele habita dentro e é o próprio verbo. Quem dera eu, conjugar. 
Ele habita em mim e é o próprio Deus. Que outro faria isso?

Imensurável afeto, ternura contagiante, graça que traz vida.
Aceitação.
Nada sobre ele tem a ver comigo. Ao contrário, sou eu quem me faço nele.

Descostura as roupas que já não me servem mais, sei que existem novas,
sob medida. 
Ajeita meu cabelo e tira a poeirinha do meu casaco de frio.
Fez um frio danado por esses dias e o vento trouxe algumas coisas desagradáveis.

Chego em casa, tiro o sapato e vejo tudo pronto.
O jantar está no fogo.
O suco de limão, como eu gosto.
Vai ter música bonita também.

Ele limpou bem o meu casaco e tirou todos os fiapos dos meus ombros.
Ele sabe bem como eu me sinto.
Olhe, veja, a chuva já cessou e se foi.
Apareceram flores e chegou o tempo de cantar.
O jantar está pronto.
É primavera.

Canção de André Aquino, que foi trilha para o dia dolorido e infinitamente profundo, em que escrevi esse texto.
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