Profissões do futuro: procura-se designer que vá muito além do design
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Você deve estar pensando “vixi, lá vem o Giaffredo com as sentenças filosóficas… como assim designer além do design?”
Pois é, parece maluquice, mas me dá uns 5 minutos pra eu tentar te explicar o insight de hoje. Acabei de chegar de uma mesa-redonda sensacional numa universidade daqui de São Paulo, e o cabeção tá que tá fervilhando.
O tema central do evento era ”como o design influencia o processo de inovação das grandes organizações”. Daí conversa vai, conversa vem, e um dos alunos participantes perguntou assim: “gente, quando eu vou no LinkedIn e procuro vagas como designer ou inovador, por que eu não acho nada, ou acho quase nada? Não tem mais espaço pra designer em areas de inovação, é isso?”
Perguntinha osso essa daí né. Mas a vantagem de estar com gente diferente da gente é justamente essa, rola sempre aquele convite a respirar, e pensar uns 10 segundos antes de falar. E nesse meio tempo, ocorreu a um dos participantes um lance que achei sensacional. Ele citou uma das características principais dos designers, que é a forma de pensamento que eles tem, e como isso faz deles mediadores incríveis de discussões multi disciplinares em torno de objetivos em comum.
Daí deu aquele clique cabuloso, chega arrepiou.
Eu senti mesmo que o xunxo novo e riquíssimo, que tá aí diante da gente pra ser rica e amplamente explorado por quem quiser embarcar, é o de “designer de conversas”.
Isso, designer de conversas. E quem faz parte desse meio corporativo mais tradicional sabe o quão chave é a habilidade de conectar as pessoas em torno de propósitos. É chave, mas é muito muito muito muito difícil de fazer também. Já tentou tirar as pessoas dos silos, dos “seus mundos” particulares ou verticais, e fazer com que elas enxerguem os impactos do que elas fazem, num contexto mais amplo? O contexto das jornadas? É osso mano, de verdade…
Só que eu to pra ver alguém melhor pra fazer esse tipo de arranjo, do que aquela pessoa que pensa como um designer. Porque o pensamento do design se apóia em 3 pilares básicos, que são a empatia, a colaboração e a experimentação. E tudo em torno de entregar algo com valor percebido pra alguém, que não necessariamente o próprio designer. Isso é extremamente, amplamente, e “sensacionalmente” aplicável em vários contextos no dia a dia das empresas, fala a verdade.
Quanto problema interno e externo não poderia ser resolvido, caso as pessoas simplesmente parassem pra conversar de forma isenta, com foco no todo — sem apegos sabe?
Imagina um designer, ou alguém que pense como um, mediando discussões desse tipo? É rolê de outro nível. Porque olha só, o designer não necessariamente tem todas as ideias, e nem deve ter mesmo, porque quanto mais co-criativa a discussão, melhor. Mas apesar disso, o designer tem sim, e de sobra, muitas habilidades e artefatos pra fazer com que as próprias pessoas, participantes de uma jornada que permite alterações ou inserções de novas ideias, tragam inovação e criatividade à tona em prol de um bem comum.
Tem bastante espaço pra os designers de fato, aqueles com a “caneta na mão”, e tem muita virtude nesse viés da profissão, sem dúvida nenhuma. Isso não mudou.
O que mudou na minha visão é que, aqueles designers que além da consciência e da segurança técnica, extrapolarem um pouquinho e partirem prum lado mais de estratégia organizacional, difusão da cultura e do pensamento do design, e da aplicação desse conhecimento pra criação de ambientes mais colaborativos, experimentais e abertos, vão poder trabalhar em simplesmente qualquer area, de qualquer organização.
Porque inovação é uma parada inevitável, caso não tenha chegado perto de você saiba que é só questão de tempo. E quanto mais centrada no ser humano for a parada, melhores os resultados pras empresas, pros indivíduos, e consequentemente, pro mundo de que ambos fazem parte.
E aí, quem quer ser esse “designer além do design”? Já consegue ouvir os gritos generalizados de “procura-se desesperadamente por designers de conversas”?
Ih ó lá, eu consigo!
Rodrigo Giaffredo
Forward thinker, evangelist of Design Thinking, Storytelling, Agile Culture, and all that cool stuff that makes work a nice thing to do — made in Brazil
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