Vanessa Ribeiro
Jul 28, 2017 · 1 min read

É sempre o mesmo movimento de girar a cabeça e reconfigurar espaços.

o amor é a espera contínua do golpe.

Eu repito, enquanto você comprime os olhos como quem expande o diafragma da lente 330mm da velha Nikon, na tentativa de capturar um plano.

Eu repito como quem lembra da dor que golpeia o ponto fixo das tuas costas toda vez que você ensaia uma ação como essa: a de alcançar um copo e a jarra d’água na mesma fração de tempo.

Digo ainda outra vez como se eu quisesse me convencer da espera furtiva do golpe que mais cedo ou mais tarde surge no compasso das partituras.

Viver significa ver .

Você concorda como quem sabe que escolhemos sempre o velho, que escolhemos sempre a relva, como quem se banha invariavelmente no mesmo rio.

Você me diz ainda que é preciso voltar a ver, é preciso voltar as páginas, são os mesmos fragmentos despontando.

É sempre o leve movimento de girar a cabeça e reconfigurar as falas

    Vanessa Ribeiro

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    Memória poética