Beyoncê, Lamar, Robert Johnson, Luther King e cia.

Criança Negra do Congo exposta em jaula na Feira Internacional de Bruxelas em 1958

O Blues era uma música de lamento do negro americano do final do século 19 e início do 20.

Porquê lamento? Porque naquela época o negro não tinha o direito de protestar. Aliás, sejamos sinceros, até hoje não tem. Quando se é artista, famoso e rico, através de algumas rupturas ou contradições até conseguem algum espaço. A recentes apresentações de Beyoncê no Superbowl e de Kendrick Lamar no Grammy mostram isto.

Mas em geral, negro, pobre, favelado, quando protesta toma porrada ou morre nas mãos do Estado, as vezes em virtude do descaso do mesmo.

Me parece que tempos difíceis virão, a civilização começa a pagar pelos crimes de séculos de exploração e opressão de povos inteiros. Desde os tempos das grandes navegações que civilizações inteiras são dizimadas, exploradas e escravizadas, tudo em nome do poder e riquezas de nações e corporações privadas. As recentes imigrações de milhões para a Europa são apenas as primeiras prestações de uma conta que quando vencer vai quebrar a banca.

Dê humanidade e terá humanos, dê cidadania e terá cidadãos, de barbárie e violência e barbaridade e violência terá. A relação é muito direta, serve tando para nossas relações individuais e íntimas como para a sociedade em geral. E só pra lembrar, consumo não gera cidadãos, gera consumidores.

Aquele que apanha, sofre, é humilhado, renegado, assassinado e escravizado nessa situação se acomoda, até o dia em que tem força para reagir, e tenha certeza, a reação não será amigável.

Sensacional que dois artistas negros tenham podido ser negros em eventos deste porte. O problema é que longe dos holofotes o preço não é conquistar a antipatia de algumas pessoas que finalmente descobriram que Beyonce é negra, normalmente paga-se com a vida, ou na jaula.

Mas quem sou eu para falar de injustiça,racismo e opressão com tamanha propriedade? Quando eu me sinto injustiçado? Quando tenho que enfrentar uma fila maior no banco porque não sou Personalitê Van Gogh Premium Platinium? Quando vou para a Disney e a autoridade da imigração norte americana me trata como latino? Ou quando percebo que não tenho como sonegar meu imposto tanto quanto eu queria? Nunca apanhei por ser hétero, nunca fui ofendido por andar de mãos dadas na rua com o meu amor, nunca fui tirado de um ônibus vindo da periferia por ser negro.

Quem sou eu? Eu sou o maior hipócrita de 2015.