Não é pelo poder é pela chave do cofre.

Aécio entra na roda, cai na Lava jato, vira boi de piranha e “comprova que não há seletividade” no processo. Dando uma providencial resposta a sociedade que desconfia da Operação.

Com impeachment de Dilma parecendo inevitável, Aécio é jogado na fogueira, o PSDB fica feliz, pois até lá ninguém mais aguenta o dito cujo.

Serra já está fechado com a candidatura de Alckmin para 2018, e eliminar Aécio via Lava Jato é uma estratégia pra tentar convencer de que o PSDB é um “partido sério”, tanto que aceita “cortar na própria carne”. O que de fato ocorre é que este ardil resolve o racha interno do PSDB.

O PMDB em seu congresso interno cria o factoide de que vai deixar para os congressos estaduais a decisão de sair ou continuar no governo. Assim não precisa abrir mão das dezenas de milhares de cargos, secretarias e ministérios da noite pro dia. (Acredita-se que a convocação de Lula para ministro possa ser baseada na aposta de que a base do PMDB não gostaria de abrir mão dos cargos, atrelado ao poder de articulação de Lula).

Para o PMDB e o PSDB uma queda rápida da chapa (Dilma e Temer) não interessa, pois a partir daí convocar-se-ia novas eleições em 90 dias. Diante dos escândalos, da crise, do fim do financiamento empresarial de campanhas e do medo dos empresários não só pelo risco de se envolver em escândalos, como também investir dezenas de milhões de Reais na campanha de um novo presidente que pode ser incriminado pela Lava Jato a qualquer momento. Portanto eleições 90 dias após o impeachment não é um cenário que agrade PSDB e PMDB, definitivamente não querem isto.

PSDB e PMDB que já estão mais que acordados para assumir a chave do cofre (não é uma luta pelo poder, mas pela gerência da boca) trabalham com dois cenários:

1 — Cai a Dilma, Temer assume, o PMDB e PSDB já acordados para 2018. Elegem Alckmin e o PMDB continua exatamente no papel exerceu nos governos PT.

2 — Se não for possível derrubar apenas a Dilma, mas a chapa, deixam que o rito de impeachment corra lentamente nas estancias jurídicas. O tempo regulamentado para se convocar novas eleições passa, e aí serão eleições indiretas, presidente escolhido pelo Congresso e Senado até 2018, onde se repetiria o que já disse acima. PSDB vencendo as eleições e PMDB no mesmo papel que teve durante os 13 anos de governos do PT.

Resumindo, não querem eleições imediatas para presidente. O risco é demasiado grande principalmente com PMDB, PP, PSDB e DEM envolvidos na Lava Jato é possível que cai na mão de alguém novo, ou não tão novo, mas sem passado pregresso.

Este é o quadro que vejo na loucura de se arriscar numa análise de conjuntura nos loucos dias atuais.