Couto, seu texto é muito bom, mas achei forçada a comparação do carro com o filtro.
Gustavo Carvalho
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Gustavo, sim existem incontáveis outros fatores para o custo de veículos. Mas eu acho, na verdade, irrelevantes esses fatores para o núcleo da discussão que quero levantar: economia colaborativa = serviço capitalista (como outro qualquer). Esse papo todo não tem a ver com comunidade nem com compartilhamento. O Custo Brasil, por exemplo, é extremamente importante pra essa precificação. Mas, no contexto da discussão, é praticamente irrelevante porque estamos falando de algo anterior a ele, inclusive.

Você deve saber que o custo de um carro é altíssimo. Tendemos a pensar de forma minimalista, algo como: custo mensal do carro = prestações + gasolina. Mas se for calcular direitinho, o custo do carro inclui depreciação, prestações, gasolina, manutenção, impostos e falta de receita indireta (uma receita indireta seria alugar sua vaga livre na garagem pra outra pessoa). Hoje, se você andar só de Uber ou de táxi, os mesmos trajetos que você faz diariamente, só compensa se você não andar muito. Exemplo, se eu andar bem pouco de carro (próprio) eu não gasto gasolina e tenho baixa manutenção. Mas a prestação, depreciação, impostos e falta de receita indireta continuam iguais. Se eu andar muito, esses valores, que são praticamente fixos, serão amortizados pelo uso. No primeiro caso, se eu substituir (hoje) meu carro por táxis, saio no lucro. No segundo caso, saio no prejuízo. Se as pessoas optarem por andar de táxi tudo o que andam atualmente, sairão no prejuízo. E isso estou falando de hoje, com carros à venda nos pátios, com promoções de fim de ano e tudo mais. Me baseio em contas que fiz (vale pra SP, pelo menos) na prática, considerando ir e voltar do trabalho, buscar filho na escola e tudo mais. Se tivermos redução na produção de veículos, teremos mais desempregos e fábricas fechadas. Isso significa que um carro que seria feito ali, no interior de SP, agora pode ser que venha da Argentina. Com carros mais caros, as tarifas de táxi/Uber aumentam. Até chegar ao ponto do cara que tem carro mas usa pouco, ao trocar por táxi/Uber, saia no prejuízo também. Sem falar que virará um controle corporativo do transporte.

O aparelho de filtro de água foi ao acaso :) O texto (na minha cabeça) tinha terminado antes desse exemplo. Por acaso eu lembrei na hora e achei que valia a pena exemplificar muito mais como uma situação de aluguel vs. compra. Por que, no final das contas, a grande discussão não é sobre carros. É sobre o mito da economia colaborativa ser algo bonito, sustentável, moderno, ecológico e anti-capitalismo. Economia colaborativa é sobre serviço, não sobre um tipo de sistema econômico. Talvez eu devesse tirar essa parte, nem faz tanto sentido assim. :D