O Mito Do Áudio De Alta Resolução
fulalas
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Olá, quando mencionei sobre alguns erros em meu vídeo era exatamente sobre a questão de ter falado amplitude ao invés de frequência (desculpe sobre isso), além da questão de ter mencionado errado a “bitola” de um tape master em certa altura do vídeo e ainda pelos Kilobits do mp3. Sempre há erros nestas apresentações, seja pelo caráter informal ou pelo esforço de tropicalizar os termos em nosso português coloquial e ser assim o mais didático possível. Espero que não prejudicado a mensagem com isso.

Falar de experiências pessoais embora pareça contradizer o método científico, nós todos sabemos que o mesmo se processa através de Insights pessoais não é mesmo? Concordo que o ideal é montarmos hipóteses falseáveis, entretanto, não podemos ignorar os grupos de estudo da AES e da JAS, que reconhecem o HRA e tem material disponível. Há também álbuns lançados pela Chesky Recordings onde é “audível” a diferença em relação ao mesmo álbum em Spotify Premium por exemplo (peço por favor que faça essa audição). Por fim, tive a oportunidade de conduzir algumas sessões de audição com diversas versões do clássico álbum Stan Getz — João Giberto comparado versões MP3, CD, SACD, DSD, BDA onde era possível pontuar diferenças entre MP3, CD, SACD e BDA (versões variadas de DSD e de SACD tocam de modo indistinguível).

Ainda reforço que é um equívoco e uma simplificação mencionar que o teorema de Nyquist é necessário e suficiente para representar uma grandeza na situação dinâmica e complexa da representação ora eletromecânica ora neuroacústica do áudio. É o mesmo que realizar cálculos em condições ideais de temperatura e pressão, fazendo apenas “modelo físico” e ignorando o mundo real.

Há de fato publicações que propunham o CD como tecnologia definitiva, muito embora como eu coloquei em minha apresentação, com o avanço científico e tecnológico pode algo ser proposto como solução definitiva? Alguns poderão dizer que o SACD é apenas uma forma de ganhar mais dinheiro após o domínio público do CD. Em minha apresentação fiz questão de expor todos esses aspectos contraditórios e não fazer simplesmente propaganda (atualmente não trabalho mais com HRA).

O que concordo sobre o HRA é que a maior parte das salas de audição e dos equipamentos não estão preparados para sua audição. Vou além, as pessoas não estão preparadas. Em minhas breves sessões de audição com colegas de trabalho e amigos, àqueles mais experimentados em educação musical ou que já possuíam equipamentos de alta qualidade, eram os primeiros (e por vezes os únicos) a indicarem as “nuances” de qualidade do HRA. Isso pode imputar ao HRA uma característica cultural elitizante que eu sou radicalmente contra. Sou a favor de que o áudio de alta qualidade, seja em HRA, Vinil, CD ou Stream seja patrimônio cultural da humanidade e que possam existir aparelhos acessíveis a todos. O áudio bem gravado e bem reproduzido constitui uma oportunidade de melhora na percepção auditiva e musical, nos colocando em contato com outras culturas, nos permitindo reviver gravações de estúdio, estar com os grandes instrumentistas já falecidos e, portanto, constitui uma ferramenta de experiência de vida e aquisição cultural ímpar.

Há uma mudança de paradigma neste segmento e suas fontes de testes duplo-cego precisam ser reavaliadas. Aliás quase não faz sentido falar em HRA antes de 2015, pois não havia quase material (exceto SACD e DVDA), a linha de equipamentos de masterização era reduzida e cara, isso sem falar dos de reprodução que nem existiam. Portanto, um teste confiável de 2007, não faz sentido com os recursos que temos hoje considerando equipamentos nível Japão ou Europa (infelizmente no Brasil estamos mais uma vez excluídos).

Há estudos nas universidades de Londres, Hiroshima e Princeton, estou fazendo um clipping descompromissado.

https://qmro.qmul.ac.uk/xmlui/handle/123456789/13493

E na AES outras referências

https://secure.aes.org/forum/pubs/journal/?ID=591

http://www.aes.org/technical/hra/

https://www.jstage.jst.go.jp/article/jjiiae/1/2/1_52/_article ou

https://www2.ia-engineers.org/iciae/index.php/icisip/icisip2013/paper/viewFile/160/146

Também há um interessante trabalhado moderno sobre áudio digital no Youtube:

https://www.youtube.com/channel/UCR4tuhqPppVp-PD0q17sPEA — Hans, um canal muito interessante e que recomendo.

http://thehbproject.com/nl/artikelen/56/De-waarheid-over-Nyquist-en-waarom-192-kHz-zinnig-is

https://www.youtube.com/user/sharanelani — Paul McGowan

Defendo que as pessoas devam ter acesso ao HRA para decidirem com seus próprios ouvidos, pois embora eu seja defensor da metologia de Karl Popper, estamos aqui debatendo sobre interesses pessoais em música, experimentação ao longo do tempo, gosto por música com mais ou menos complexidade harmônica, fatores psicológicos como o status entre possuir um equipamento baseado em Vinil, CD ou HRA por exemplo.

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