O secretário agressor e o perdão

Pedro Paulo, secretário da prefeitura do Rio de Janeiro, braço direito de Eduardo Paes, escolhido para ser o candidato do PMDB à prefeitura carioca nas próximas eleições, convocou a ex-mulher para defendê-lo das acusações de agressão que ela havia protocolado na polícia em duas ocasiões, quando ainda eram casados.

Na primeira delas, em 2008, Alexandra Marcondes relatou xingamentos e socos no corpo e no rosto. Dois anos depois, disse ter recebido empurrões, chutes e socos, causando a quebra de um dente, conforme atesta um laudo do Instituto Médico Legal.

A turismóloga deu a seguinte declaração à imprensa: “Nós tivemos duas discussões que foram esses dois tristes episódios. Mas o Pedro não é uma pessoa agressiva”.

Pedro Paulo classificou assim os episódios: “Quem não tem uma briga dentro de casa? Quem não tem um descontrole? Quem não exagera numa discussão? Fomos um casal como qualquer outro. Quem não passa isso? Quem às vezes não perde o seu controle? Agora não achar que isso possa ser uma coisa normal na nossa vida…”

Ao final da entrevista coletiva, se abraçaram, inclusive com os atuais companheiros.

A cena dá a entender que os episódios foram superados pelas famílias e sugere que Alexandra perdoou Pedro Paulo, embora a palavra “perdão” não apareça nas declarações colhidas pela imprensa.

Pode até ser que isso tenha acontecido, mas o perdão na vida privada, não necessariamente é perdão na vida pública.

Pedro Paulo cometeu um crime. A previsão de pena na lei Maria da Penha é de três meses a três anos de detenção e não se aplicam punições alternativas.

O secretário pede que o seu passado fique no passado. Ele não foi denunciado e nem julgado pela Justiça pelo crime que cometeu. Caso mantenha esse lamentável teatro e concorra ao cargo de prefeito, será julgado nas urnas.

Espero que o povo o condene. Não dá para confiar em um homem público que bate em mulher. Essas coisas precisam começar a mudar no Brasil.

(com informações da Folha de São Paulo)