Insegurança máxima

Meu corpo tem sido um presídio de segurança máxima.
Eu tenho sentimentos presos dentro de mim.
Raivas que foram parar ali porque saquearam uma lojinha de conveniências.
Medos que cortaram à faca, inocentes,
quando esses medos só queriam deitar
Em um colo,
não em um receituário.
Tenho palavras que estão presas há anos por puro engano:
Substantivos fudidos, adjetivos que não têm onde cair mortos, vícios de linguagem zumbis,
que vivem nas favelas da minha consciência,
e quando não morrem de bala perdida,
vão apodrecer em alguma célula superlotada.
Tenho perversões que pelo bom comportamento conseguem sair fácil.
Outras, parece que pegaram prisão perpétua,
não saem nem em regime semiaberto nas confissões e orações.
Tenho também indignações que, desconfio,
pegaram pena de Morte.
E por fim tenho alegrias que de vez em quando lideram uma rebelião.
