Falta-me Algo

Mergulhado nas profundezas de infinitas incertezas, longe de mim, perdido no além da inconstância do meu sentir e com o carma de um ser refém.

Rasgo o tempo na procura de um sentido, desbravo o mar tentando achar um caminho que me conduza à um destino sem endereço onde o meu vazio eu possa completar, mas cada vez mais esmoreço por não haver caminho a trilhar.

Sou como um pedaço de papel jogado ao ar, voo sem rumo e sem lugar para pousar, seguindo apenas o soprar dos ventos que me levam à lugares que desconheço.

Paro, então, no topo de uma montanha incapaz de continuar seguindo os ventos pelo estado amassado e só assim descubro que tenho minhas próprias asas, invento o meu caminho e jogo-me até a beira de um lago.

Vejo o meu rosto reflectido na água cristalina e encontro o que, há muito, eu procurava, no olhar profundo de minha retina descubro que é de mim mesmo que eu sinto falta.

(Feira de Santana - Ba 20/8/2016)