Nostálgico II

Ver aquele velho rosto em um dia tão “Down”, quanto aquela segunda — feira, realmente para mim foi uma surpresa. O cabelo dela estava do mesmo jeito, comprido, nas costas.

Aquele velho óculos de grau, armação preta de um Ray-Ban, lentes transitions, uma bolsa marrom, pequena. Você nunca gostou de bolsas grandes, usava uma jaqueta jeans, apesar do calor, era uma jaqueta customizada, sem as mangas. Uma blusa branca por baixo, trajava calça jeans e o velho all star azul…

Um zumbido passou em minha frente, a buzina ensurdeceu o meu ouvido e eu ouvi um grito: “- Quer morrer filho da puta?” — Percebi que estava atravessando a avenida com o sinal aberto, mas depois de tanto tempo, o acaso, o destino, os deuses, o infortúnio, seja lá quem fosse, brincava comigo e aquela velha emoção antes esquecida, pensava eu até morta, se via novamente viva em minhas entranhas, em minha mente, em meu eu, em meu ser e nada mais era além de você.

Quando consegui chegar ao lado, onde você estava, são e salvo, tinha sumido, não estava mais lá, olhei para um lado, olhei para o outro mas no fim você não estava, só a lembrança de ter te visto mais uma vez, e ter percebido que apesar de tudo eu nunca esquecerá de você, e no fim, estou mais nostálgico ainda, pois tudo naquela avenida me faz lembrar você e desesperadamente, passo por lá todos os dias desde então, para quem sabe reencontrar você.