Como o acompanhamento de luxo esconde a realidade da prostituição

Há algum tempo tem aparecido nos canais de televisão e na web reportagens e entrevistas mostrando o cotidiano de garotas de programa que chegam a cobrar em um único programa 400 reais a hora. Falando com o maior orgulho chegam a ganhar 10 mil reais em uma única noite, no entanto, essa não é a realidade da maioria das mulheres, dos homossexuais e transsexuais que se prostituem para sobreviver.

As chamadas “acompanhantes de luxo” sempre falam que estão neste trabalho por opção e “fazem porque gostam”. O que é muito diferente das crianças e adolescentes que acabam se prostituindo nas beiras das rodovias e até mesmo em bordéis ou os homossexuais expulsos de casa pela família por causa da sua orientação sexual, sem outra alternativa além de venderem o seu próprio corpo para a satisfação sexual alheia.

Vale ressaltar que a remuneração das “acompanhantes de luxo” é infinitamente superior à remuneração da criança ou da adolescente, das mulheres, dos homossexuais e transsexuais que se arriscam nas madrugadas para poder conseguir se sustentarem assim como qualquer outra profissão no sistema capitalista, no entanto, com o diferencial de que as prostitutas são marginalizadas socialmente por motivos — grande parte das vezes — religiosos.

Infelizmente, acaba sendo uma alternativa para as garotas de programa se refugiarem em bordéis para garantirem sua integridade física, a certeza que o cliente irá pagar o programa e até mesmo um teto para morar, mas acabam tendo uma porcentagem dos lucros com o seu programa direcionados para o cafetão ou a cafetina, tornando-se uma relação de exploração sexual (que por lei é proibido no Brasil).

O termo “acompanhante de luxo” acabou sendo romantizado pela mídia e pela sociedade como aquela parcela da prostituição que “deu certo” e por sempre viver no luxo e sempre saindo com indivíduos com alto poder aquisitivo esconde a dura realidade das jovens e adolescentes, dos homossexuais e transsexuais que se prostituem não para enriquecer, mas sim para sobreviver.

FONTES:

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