E aí, como tem ido seu 2018?

Sim, você leu corretamente o título, está escrito 2018 — e se prepare, faltam poucos dias até que o tio do pavê apareça com um arsenal totalmente novo de piadas completamente velhas para o jantar de fim de ano.

Que os leitores mais exigentes me perdoem, mas terei de fazer uso de um dos mais insípidos chavões de elevador e filas de banco: “o ano passou voando, né?”.

Eis que surgiu, meio que vindo do nada, um mês de Dezembro ilustrando nossos calendários de padaria — se você ainda não tem um, procure na casa dos avós ou tios, estudos afirmam que 9 em cada 10 lares possuem um calendário de padaria. Ontem mesmo foi Janeiro e você estava lá, vestido de branco, de olho no Show da Virada, fazendo os planos para o ano vindouro, abraçando amigos e parentes, e até mesmo aquele amigo de um parente (que até agora você não sabe ao certo quem é).

É sério, se você não tem algo parecido com isso na sua casa, algo está muito errado. Em tempo, calendários de Igreja, lojas de roupas ou contadores também podem ser considerados.

À essa altura, você que está lendo já deve ter sido tomado de assalto pelo mais profundo desânimo, pois deu-se conta, de uma vez por todas, que estamos na iminência de repetir a clássica dose de fim de ano — mais uma vez o pavê, mais uma vez a promessa daquela dieta que não vem dando muito certo desde 2015, e mais uma vez o Show da Virada. Pois bem, se tudo isso te assusta, aqui vai um segredo: você chegou atrasado para a festa, já estamos em 2018.

A dieta para emagrecer, a matrícula na academia, o livro que você quer começar a ler, ou o vício que você deseja abandonar, não importa quais sejam os planos que você vem ensaiando para o dia da queima de fogos, estão todos atrasados. E tudo por um único motivo: você está deixando o calendário te dizer quando deve fazer as coisas! E não se trata apenas dos planos grandiosos, mas também (e principalmente) das pequenas coisas.

“Quanto maior intervalo entre a resolução e sua execução, tanto menor a probabilidade de êxito.” — Siegfried Júlio Schwantes

Se você sabe o que quer para 2018 (e talvez para o ano seguinte e o outro), então ele já começou! Ainda que pareça, o intuito deste texto não é te causar ataques de ansiedade, mas provocá-lo a desistir de sabotar seus próprios desejos. Mesmo que suas aspirações sejam banais, elas são integralmente suas, portanto cabe a você, e apenas você, levá-las a termo.

E a aspiração, por si só, não é suficiente, nem mesmo uma explosão de energia e vontade pode te garantir vencer a inércia, pois de que adianta estar imbuído de toda energia necessária, se para dar início aos seus planos você está esperando uma data no calendário?

“[…] Semanas depois nada mais resta da energia latente na resolução original. Se esta energia não nos deu a vitória hoje, no auge de sua intensidade, é vão esperar que no-la conceda em data futura.” — Ibidem

Prefiro não acreditar em gente que diz acordar todos os dias com o ânimo necessário para correr uma maratona, mas está planejando para corrê-la amanhã. No entanto sou capaz de apostar todas as fichas em alguém que, mesmo sedento por mais cinco minutos do “modo soneca”, se levanta e, totalmente carrancudo, se põe a caminhar alguns poucos quilômetros todos os dias.

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